
O projeto considerado prioridade pelo Planalto foi desfigurado, rejeitado e aprovado sem apoio da própria base, revelando isolamento político e descontrole na articulação.
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A aprovação do PL Antifacção (5.582/2025) pela Câmara dos Deputados expôs de forma contundente a perda de força política do governo Lula em um tema que ele próprio tratava como bandeira nacional. Enviado como proposta central no combate ao crime organizado, o projeto foi radicalmente modificado pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP), aliado do governador Tarcísio de Freitas, e acabou aprovado por esmagadores 370 votos contra 110 – um placar que deixaria claro, a qualquer governo historicamente sólido, que seu controle sobre o Congresso simplesmente não existe mais.

A situação foi agravada pela derrota consecutiva de dois requerimentos do Planalto: o pedido de adiamento e o retorno ao texto original assinado por Lula foram rejeitados com facilidade, evidenciando que nem mesmo a base aliada quis assumir o desgaste de defender uma proposta impopular e mal articulada. A condução política de Rui Costa e Alexandre Padilha voltou ao centro das críticas, revelando um governo que tenta sobreviver em um Congresso já dominado pelo Centrão e por forças oposicionistas que encontraram no enfraquecimento do Planalto um caminho para pautar suas próprias agendas.
Para completar o cenário de desordem, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, classificou o substitutivo aprovado como “lambança legislativa” poucas horas antes da votação, um reconhecimento público e explícito de que o governo perdeu o controle não apenas da pauta, mas do próprio discurso que sustentava sua política de segurança pública. O novo texto, agora muito mais alinhado com demandas de policiais penais, governadores e setores de oposição, desmonta a estratégia original do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, deixando o governo exposto em uma de suas áreas mais sensíveis.

Com o PL chegando ao Senado como uma derrota anunciada, Lula enfrenta um ambiente político cada vez mais hostil, marcado por falta de liderança, ausência de maioria e incapacidade de conduzir até mesmo propostas de consenso nacional como o combate às facções criminosas. O episódio reforça a percepção de um terceiro mandato fragilizado, dependente de acenos ao Centrão e atolado em crises de articulação que paralisam o avanço de qualquer agenda estruturante.
REFLITA E COMPARE
- Como um governo que prometeu “reconstruir o diálogo” perde apoio até em uma pauta de segurança pública?
- O que explica a desconexão entre a narrativa oficial e a realidade da articulação política do Planalto?
- Um governo sem maioria e sem direção pode liderar o combate ao crime organizado?
O Brasil precisa de um governo firme, com liderança real e compromisso com a ordem pública. O combate às facções exige coerência, articulação sólida e responsabilidade institucional, não improvisos legislativos, disputas internas e derrotas acachapantes em temas essenciais. Quem não consegue liderar sua própria base não consegue liderar a segurança do país.
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FAQ
- O que é o PL Antifacção?
É o Projeto de Lei 5.582/2025, que propõe medidas de combate às facções criminosas. - Por que o governo perdeu a votação?
Por falta de articulação e resistência até de aliados do próprio Planalto. - O texto aprovado é o mesmo enviado por Lula?
Não. O substitutivo aprovado é completamente diferente e desfigura a proposta original. - Qual o impacto político da derrota?
Expõe o isolamento do governo e reforça sua fragilidade no Congresso. - O que acontece agora?
O projeto segue para o Senado, onde deve enfrentar novo desgaste para o Planalto.

