
A redução parcial anunciada por Washington tem efeito limitado e não muda o cenário de fricção comercial enfrentado pelo Brasil.
Matéria exclusiva do portal ClicJa.com.br | Verificado 🔎 Google
A decisão do governo Donald Trump de retirar tarifas adicionais sobre parte dos produtos agrícolas brasileiros repercutiu rapidamente no debate econômico entre Brasília e Washington, mas especialistas foram categóricos: o alívio é mínimo e não altera a estrutura pesada do tarifaço imposto aos exportadores do Brasil. Embora itens como café, carne bovina, frutas tropicais e alguns derivados tenham recebido redução parcial, muitos continuam submetidos à sobretaxa de 40%, que somada ao imposto-base de 10% mantém tarifas efetivas de até 50% para uma fatia expressiva das vendas externas ao mercado norte-americano.
Analistas ressaltam que o impacto real da medida é marginal. Cerca de 700 produtos já estavam fora do tarifaço desde julho, e aproximadamente um terço das exportações brasileiras aos Estados Unidos segue enfrentando a alíquota máxima. Ou seja, a flexibilização anunciada por Trump é pontual, não representa mudança estrutural na política comercial dos EUA e tampouco reduz a tensão acumulada entre os dois países nos últimos anos.
A situação expõe a fragilidade da diplomacia comercial brasileira no atual governo, que tem falhado ao negociar, pressionar ou defender setores estratégicos diante de parceiros que operam com assertividade e clareza de interesses. Enquanto Washington age em função de sua própria agenda econômica, Brasília insiste em discursos ideológicos que pouco contribuem para ampliar competitividade ou reduzir barreiras tarifárias. Com isso, o produtor brasileiro continua enfrentando custos elevados e concorrência distorcida em um dos mercados mais relevantes do mundo.
REFLITA E COMPARE
Por que o Brasil aceita sucessivas barreiras sem resposta estratégica clara?
Qual setor mais perde quando Brasília não conduz uma política comercial firme?
Até quando o país dependerá de flexibilizações pontuais em vez de acordos sólidos?
O Brasil precisa recuperar protagonismo internacional com foco na competitividade, na defesa dos interesses agrícolas e industriais e na capacidade de negociação firme. Enquanto a política comercial seguir subordinada a agendas ideológicas, o país continuará perdendo espaço, oportunidades e riqueza. Um governo que se diz comprometido com o desenvolvimento precisa agir com seriedade e assertividade — não com improvisos.
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FAQ
- Quais produtos tiveram redução parcial de tarifas?
Itens agrícolas como café, carne bovina e frutas tropicais. - A tarifa total caiu significativamente?
Não. Muitos produtos seguem pagando até 50% de tarifa combinada. - O tarifaço já havia sido flexibilizado antes?
Sim, cerca de 700 itens estavam fora do tarifaço desde julho. - A medida reduz tensões comerciais?
Não. Ela é pontual e não altera o quadro geral de fricção. - Qual o impacto para o Brasil?
Baixo. A redução beneficia poucos produtos e não melhora o ambiente comercial.

