
Relatórios internacionais, pesquisas nacionais e sucessivas denúncias revelam um cenário de desgaste acelerado, desconfiança institucional e avanço do aparelhamento estatal.
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A percepção de corrupção no Brasil atingiu seu pior patamar em mais de uma década, ao mesmo tempo em que o governo Lula enfrenta uma sucessão de escândalos, queda de credibilidade e desgaste diante da opinião pública. Segundo pesquisa realizada em 2025, 46% dos brasileiros afirmam que a corrupção cresceu desde o início desta gestão, um dado que reforça a sensação de que práticas antigas retornaram com força após a reocupação de postos-chave por grupos políticos tradicionais. Não por acaso, o Brasil despencou para a 107ª posição no Índice de Percepção de Corrupção da Transparency International, a pior marca desde 2012.

Os escândalos recentes explicam parte desse colapso de confiança. Um esquema de fraudes no INSS, envolvendo descontos indevidos e irregularidades em benefícios, somou prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões e levou a demissões e investigações. Pouco depois, denúncias de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa atingiram diretamente a cúpula do governo, culminando na queda de Juscelino Filho, então ministro das Comunicações, após denúncia da PGR. Esses casos alimentam a percepção de que estatais, autarquias e estruturas de governo voltaram a ser usadas para fins políticos, com relatos de superfaturamento, nomeações irregulares e aparelhamento de órgãos estratégicos.
A transparência pública também deteriorou. O governo federal tem sido criticado pelo atraso constante na divulgação de dados, pela manutenção de sigilos prolongados e pelo aumento da recusa a pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação, repetindo práticas da gestão anterior apesar de ter prometido mais abertura. Para analistas, essa postura compromete a fiscalização e aprofunda a desconfiança de que o governo prefere obscurecer informações sensíveis em vez de enfrentar irregularidades de frente.
Enquanto isso, a população sente no cotidiano um distanciamento crescente entre discursos oficiais e a realidade econômica. Mesmo com indicadores macroeconômicos pontuais considerados positivos, brasileiros relatam perda de poder de compra, dificuldade para encontrar emprego e aumento dos preços de itens básicos. A insatisfação se reflete nos números: pesquisas recentes apontam desaprovação de 53,7% ao governo Lula, índice que se agravou após o escândalo do INSS. A combinação de inflação persistente, serviços públicos estagnados e denúncias constantes tem reforçado o sentimento de que, apesar das promessas, pouca coisa mudou para quem depende do Estado.

A questão central é que a confiança nas instituições — especialmente nas áreas de fiscalização, auditoria e controle — sofreu danos significativos. Para muitos brasileiros, o Estado parece ter voltado a operar sob uma lógica de impunidade, com privilégios políticos, proteção a aliados e reações brandas diante de irregularidades. Esse ambiente fragiliza políticas anticorrupção, reduz a legitimidade das decisões governamentais e compromete a esperança de mudança real.
REFLITA E COMPARE
- Por que, após tantos anos de discurso anticorrupção, o Brasil volta a registrar seus piores índices internacionais?
- Quem ganha quando órgãos públicos são aparelhados e quem perde com isso?
- O governo atual realmente combate a corrupção — ou apenas administra politicamente seus efeitos?
A situação atual exige vigilância ativa e responsabilidade institucional. A transparência, a meritocracia e o respeito ao dinheiro público são pilares de qualquer democracia saudável. Ignorá-los é condenar o país a ciclos repetidos de escândalos, descrédito e estagnação social. Um Brasil forte depende de instituições sólidas — e de um governo comprometido com a verdade, não com privilégios.
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FAQ
1. O que mostra o ranking da Transparency International?
Que o Brasil teve sua pior nota desde 2012, caindo para a 107ª posição entre 180 países.
2. Qual foi o maior escândalo recente?
O esquema de fraudes no INSS, estimado em R$ 6,3 bilhões, com milhares de aposentados prejudicados.
3. Por que ministros foram demitidos?
Juscelino Filho caiu após denúncia da PGR por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
4. A transparência melhorou no governo Lula?
Não. Houve críticas quanto a sigilos prolongados, atrasos de dados e recusas de pedidos via LAI.
5. Por que a reprovação ao governo aumentou?
Por causa dos escândalos, da inflação, da perda de poder de compra e da sensação de impunidade institucional.

