
Protesto radical paralisa sessão, escancara desordem institucional e evidencia tolerância desigual no Parlamento
Matéria exclusiva do portal ClicJa.com.br | Verificado Google
A Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados retirou à força o deputado Glauber Braga, do PSOL do Rio de Janeiro, da Mesa Diretora da Casa após o parlamentar ocupar a cadeira da presidência como forma de protesto. O episódio ocorreu durante sessão plenária e provocou a paralisação dos trabalhos legislativos, escancarando o nível de instabilidade e descontrole que se alastra pelo ambiente político brasileiro.
Glauber tomou assento na cadeira principal após o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciar que incluiria na pauta a análise do pedido de cassação de seu mandato. Em resposta, o deputado anunciou que permaneceria “até o limite de suas forças”, numa atitude que elevou a tensão no plenário e obrigou a atuação da Polícia Legislativa para restaurar a ordem.
Durante a confusão, o plenário foi esvaziado, jornalistas foram impedidos de circular livremente e a TV Câmara interrompeu a transmissão oficial da sessão, o que levantou questionamentos sobre transparência institucional e liberdade de imprensa em um dos principais palcos da democracia brasileira. A cena expôs o grau de deterioração do funcionamento parlamentar.
O episódio ganha contornos ainda mais graves porque ocorria simultaneamente à possibilidade de avanço da votação de um projeto de lei que reduz penas para envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A pauta sensível foi deixada em segundo plano diante do espetáculo de confronto político, prejudicando o andamento do trabalho legislativo e a discussão de temas de interesse nacional.
Glauber Braga justificou sua atitude afirmando haver tratamento desigual por parte da presidência da Câmara, especialmente no que se refere a parlamentares ligados a episódios de invasão do Congresso. O parlamentar afirmou que não deixaria a Mesa sem resistência, acusando a direção da Casa de agir com seletividade política. Por outro lado, o histórico do próprio deputado inclui acusações de agressão física a manifestantes dentro da própria Câmara, o que coloca em xeque a narrativa de vítima construída por ele.
A condução do caso por Hugo Motta abriu um debate interno sobre autoridade, disciplina e respeito ao regimento. A ausência de um posicionamento oficial imediato da Presidência da Câmara após o episódio reforçou a percepção de uma crise silenciosa de comando dentro do Parlamento e de um sistema político cada vez mais incapaz de impor ordem a seus próprios membros.
REFLITA E COMPARE
O Parlamento pode funcionar normalmente quando deputados ocupam a Mesa à força?
A quebra da ordem institucional fortalece ou enfraquece a democracia?
Quem fiscaliza os abusos quando os próprios fiscais viram protagonistas do caos?
O episódio desta terça-feira simboliza o esgotamento de um modelo político permissivo, onde o grito, a ocupação e o confronto físico substituem o debate racional e o respeito às regras. A democracia não se sustenta em espetáculos, mas em autoridade legítima, regras claras e respeito às instituições. Quando o plenário vira palco de desordem, o país inteiro paga a conta.
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FAQ
O que motivou a retirada de Glauber Braga?
A ocupação da cadeira da presidência da Câmara em protesto contra o andamento de seu processo de cassação.
A sessão foi interrompida?
Sim, o plenário foi esvaziado e a transmissão oficial foi suspensa.
Qual era o pano de fundo do protesto?
A inclusão do pedido de cassação do deputado na pauta da Câmara.
Havia outros processos em pauta?
Sim, casos envolvendo outros parlamentares estavam programados para análise.
A Câmara se pronunciou oficialmente?
Até o momento, não houve comunicado formal da Presidência da Casa.

