
Levantamento da USP aponta queda significativa de adesão e reforça desgaste da mobilização da esquerda.
Análise do Tema
O ato realizado no domingo, 14 de dezembro de 2025, contra o PL da Dosimetria — aprovado na Câmara dos Deputados como alternativa ao chamado PL da Anistia — reuniu cerca de 18.900 pessoas na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. A estimativa foi feita pelo Monitor do Debate Político, da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common.
A contagem considerou o momento de pico da manifestação e apresenta margem de erro de 12%, o que indica um intervalo estimado entre 16.700 e 21.200 participantes. O cálculo utilizou imagens aéreas analisadas por um software de contagem automatizada conhecido como Point to Point Network, tecnologia desenvolvida na China e empregada em estudos de aglomeração.
Apesar do número expressivo em termos absolutos, o dado ganha outro significado quando comparado a protestos anteriores no mesmo local. Em 21 de setembro, uma manifestação contra a PEC da Blindagem havia reunido um público significativamente maior. A queda atual representa cerca de 55% menos participantes, evidenciando perda de capacidade de mobilização em um intervalo de poucos meses.
Posição
A redução expressiva no público revela um enfraquecimento da pauta defendida pelos organizadores do ato e aponta para um desgaste da narrativa adotada por setores da esquerda. Mesmo em um local tradicionalmente utilizado para grandes manifestações, a adesão ficou aquém do esperado, sobretudo diante do esforço de mobilização e da visibilidade nacional do tema.
A comparação com o protesto de setembro indica que a militância enfrenta dificuldades crescentes para manter engajamento contínuo. Projetos apresentados como “ameaças à democracia” nem sempre conseguem sustentar adesão popular ao longo do tempo, especialmente quando o discurso não se traduz em impactos concretos percebidos pela população.
O episódio reforça a leitura de que manifestações de rua já não produzem o mesmo efeito político de anos anteriores. A queda de público em Copacabana sugere que parte do eleitorado observa essas mobilizações com ceticismo, refletindo um ambiente de fadiga política e menor disposição para aderir a protestos recorrentes impulsionados por pautas institucionais.
A queda de público indica desmobilização permanente ou apenas desgaste momentâneo?
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