
Declaração de Lindbergh Farias expõe fragilidade do governo e falta de nomes competitivos no partido.
Análise do Tema
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmou nesta terça-feira (16.dez.2025) que o partido “não pode se dar ao luxo” de deixar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fora da próxima disputa eleitoral. A declaração foi feita durante um café com jornalistas e escancara a preocupação interna do PT com o cenário político à frente.
Segundo Lindbergh, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá conversar diretamente com Haddad para definir o papel do ministro no processo eleitoral do próximo ano. A fala deixa claro que o partido já trabalha com a possibilidade de utilizar o chefe da Fazenda como peça-chave para sustentar o projeto de poder petista.
“Nós não podemos nos dar o luxo de não ter Haddad disputando o processo eleitoral. Porque a gente vai ter que ir com toda a nossa força. Haddad é uma das maiores forças que a gente tem”, afirmou o deputado, em tom de alerta.
A declaração chama atenção especialmente pelo contexto. Haddad ocupa um dos ministérios mais sensíveis do governo e tem sido alvo frequente de críticas por conduzir uma política econômica marcada por aumento de impostos, insegurança fiscal e dificuldade de entregar crescimento consistente. Ainda assim, a cúpula petista sinaliza que vê nele uma das poucas opções viáveis para o embate eleitoral.
Posição
A fala de Lindbergh expõe uma dependência política preocupante dentro do PT. Ao admitir publicamente que o partido não tem “luxo” de abrir mão de Haddad, a legenda reconhece a escassez de lideranças competitivas e o desgaste do próprio governo Lula.
Além disso, misturar de forma tão explícita o comando da Fazenda com articulações eleitorais levanta questionamentos sobre prioridades. Em um momento de fragilidade econômica, o foco do ministro deveria estar em recuperar a confiança, e não em servir como âncora eleitoral de um projeto político em dificuldade.
A declaração também reforça a percepção de que o PT já se movimenta em modo defensivo, antecipando um cenário eleitoral mais hostil do que o discurso oficial costuma admitir.
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