
Troca pública de críticas entre Jaques Wagner e Gleisi Hoffmann evidencia tensão no núcleo do governo Lula.
Análise do Tema
A votação do Projeto de Lei da Dosimetria no Senado Federal escancarou uma briga interna intensa dentro do Partido dos Trabalhadores. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), rebateu publicamente, na quarta-feira (17), críticas feitas pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, sobre sua atuação na condução do acordo que viabilizou a aprovação do texto.
Segundo Jaques Wagner, houve entendimento com a oposição para permitir a votação do projeto, movimento que desagradou setores do próprio governo. Em publicação nas redes sociais, o senador criticou o tom adotado pela ministra e afirmou que divergências internas não deveriam ser tratadas publicamente. “Lamentável é nos rendermos ao debate raso e superficial. É despachar divergências de governo por rede social”, escreveu.
A reação veio após Gleisi Hoffmann afirmar, também em suas redes, que a redução das penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro representaria um “desrespeito à decisão do STF” e um “grave retrocesso na legislação que protege a democracia”. A ministra classificou a condução da pauta pela liderança do governo no Senado como um “erro lamentável”.
O episódio revela não apenas divergências pontuais sobre um projeto específico, mas um desgaste mais amplo na articulação política do governo. A exposição pública do conflito evidencia dificuldades de coordenação interna e sinaliza um ambiente de tensão crescente dentro do PT, especialmente em temas sensíveis que envolvem o Judiciário, o Congresso e a base aliada.
A troca de acusações também reforça a percepção de que o governo enfrenta desafios para manter unidade discursiva e estratégica, num momento em que decisões legislativas exigem negociação constante com a oposição e maior alinhamento interno.

