
Pesquisa indica desgaste do presidente e consolidação de nomes da direita no cenário eleitoral nacional.
Análise do Tema
Levantamento realizado pelo Instituto Opinião, com sede em Curitiba (PR), aponta um cenário de equilíbrio na disputa presidencial de 2026. Em uma simulação de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 42% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) soma 37,6%, diferença de 4,4 pontos percentuais, dentro da margem de erro de 2,5 pontos.
A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em todo o país, entre os dias 15 e 17 de dezembro, por meio de entrevistas telefônicas realizadas por operadores humanos. O nível de confiança é de 95%. Um dado relevante do levantamento é o alto percentual de indecisos, votos brancos e nulos, que ultrapassa 20%, indicando que uma parcela significativa do eleitorado ainda não definiu posição.
Outro estudo, divulgado nesta semana pela Genial/Quaest, apresentou uma vantagem maior para Lula no mesmo confronto, com 46% contra 36% de Flávio Bolsonaro. Apesar da diferença metodológica entre as pesquisas, ambas reforçam a presença do senador como um dos principais nomes da direita no momento, ainda que com desafios para ampliar seu alcance além do eleitorado bolsonarista mais fiel.
Segundo o sociólogo Arilton Freres, diretor do Instituto Opinião, Flávio Bolsonaro parte de um patamar competitivo por herdar um capital político consolidado, associado a um eleitorado mobilizado e ideologicamente engajado. Freres avalia, porém, que o desempenho do senador em 2026 dependerá da capacidade de dialogar com setores do centro-direita e com eleitores mais pragmáticos, menos vinculados a identidades partidárias.
O levantamento também testou outros nomes da direita em cenários de segundo turno contra Lula. Contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente aparece com 43,9%, enquanto o adversário soma 37,9%. Já em um eventual confronto com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Lula teria 44,2% contra 38,5%. Em ambos os casos, a vantagem do petista permanece dentro do limite técnico de empate.
A pesquisa ainda avaliou a aprovação do governo federal. Os dados mostram que 56,1% dos entrevistados desaprovam a gestão Lula, enquanto 41,8% afirmam aprovar. O índice de rejeição reforça a leitura de um governo desgastado, que entra no radar eleitoral de 2026 enfrentando desconfiança da maioria do eleitorado.

