SENADOR DESMENTE LULA E APONTA ACORDO ENTRE GOVERNO, OPOSIÇÃO E STF NA VOTAÇÃO DA DOSIMETRIA

Declaração expõe contradições no Planalto e reforça percepção de articulação nos bastidores entre os Três Poderes.
Análise do Tema
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) rebateu publicamente, nesta quinta-feira (18), a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o governo não teria firmado qualquer acordo para viabilizar a votação do Projeto de Lei da Dosimetria no Senado. A proposta foi aprovada na véspera tanto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) quanto no plenário da Casa e agora segue para sanção presidencial.
Mais cedo, Lula afirmou que não autorizou nenhum tipo de acerto com a oposição em troca da aprovação do projeto, negando qualquer vinculação entre a dosimetria das penas e o pacote fiscal que prevê cortes de subsídios ao setor privado e ampliação da taxação sobre apostas esportivas e fintechs. A declaração presidencial, no entanto, entrou em choque com versões apresentadas por integrantes do próprio governo.
Na quarta-feira (17), o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu a existência de um acordo político para viabilizar as votações. Posteriormente, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o próprio presidente Lula trataram de desmentir essa narrativa, gerando ruídos internos e ampliando a crise de comunicação no Planalto.
Em entrevista à GloboNews, Alessandro Vieira foi direto ao afirmar que houve, sim, uma articulação ampla nos bastidores. “O que a gente viu ontem foi a consequência de um acordo firmado entre o governo, a oposição e parte do Supremo Tribunal Federal. Um acordo que envolve os Três Poderes”, declarou o senador, reforçando a percepção de que a tramitação do projeto extrapolou o debate legislativo tradicional.
A fala de Vieira adiciona um novo elemento à controvérsia, sugerindo que decisões de alto impacto jurídico e político estariam sendo costuradas fora do debate público, em arranjos que envolvem Executivo, Legislativo e Judiciário. O episódio amplia o desgaste do governo Lula e reforça críticas sobre falta de transparência e coordenação institucional em votações sensíveis.

