
Queda na região historicamente favorável ao petista acende alerta no Planalto e expõe desgaste do governo.
Análise do Tema
A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma queda expressiva no Nordeste, região que historicamente concentra uma de suas bases eleitorais mais sólidas, segundo levantamento divulgado pelo Instituto DataFolha. O recuo nos índices de avaliação positiva chama atenção por ocorrer justamente no território onde o petista construiu vitórias eleitorais decisivas ao longo das últimas décadas.
De acordo com a pesquisa, cresce o percentual de eleitores nordestinos que avaliam negativamente o desempenho do governo, enquanto diminui a parcela que considera a gestão ótima ou boa. O movimento reflete uma mudança de humor do eleitorado e sinaliza desgaste mesmo entre segmentos tradicionalmente alinhados ao discurso e às políticas do presidente.
Analistas apontam que fatores como o aumento do custo de vida, dificuldades econômicas persistentes, frustração com promessas de campanha e a percepção de instabilidade fiscal têm influenciado a avaliação da população. Programas sociais, embora ainda relevantes, já não parecem suficientes para conter a insatisfação crescente em parte do eleitorado da região.
A queda no Nordeste representa um desafio estratégico para o governo, especialmente diante da antecipação do debate eleitoral de 2026. A perda de apoio em um reduto histórico fragiliza a narrativa de estabilidade política e reforça a necessidade de ajustes na condução econômica e social.
O resultado da pesquisa indica que o governo enfrenta um cenário mais complexo do que o esperado e que o capital político de Lula, embora ainda relevante, não é mais imune ao desgaste provocado por resultados concretos aquém das expectativas da população.

