
Comissão reage a nova fase da Operação Sem Desconto e amplia cerco político sobre o entorno do governo Lula.
Análise do Tema
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deu um passo relevante nesta sexta-feira (19) ao protocolar pedidos de convocação para ouvir Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Weverton Rocha (PDT-MA). A iniciativa partiu do relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), após os desdobramentos da nova fase da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.
O nome de Lulinha passou a integrar formalmente o radar da CPMI após a operação atingir a empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga próxima do filho do presidente. De acordo com as investigações da PF, uma empresa ligada a Luchsinger teria recebido pagamentos recorrentes no valor de R$ 300 mil. Mensagens apreendidas pelos investigadores indicariam que os recursos seriam destinados ao “filho do rapaz”, expressão que passou a ser interpretada como referência direta a Lulinha.
Além de Lulinha, a CPMI também solicitou o depoimento da própria Roberta Luchsinger, de Danielle Fontenelles — que já atuou em campanhas do Partido dos Trabalhadores —, do ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal, e de Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha.
No caso do parlamentar maranhense, a comissão busca esclarecer possíveis vínculos com o esquema investigado, especialmente após surgirem informações sobre relações próximas com operadores já identificados pela Polícia Federal. A ampliação do rol de convocados indica que a CPMI pretende aprofundar a apuração sobre conexões políticas, empresariais e administrativas que teriam sustentado o sistema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Para que as convocações sejam efetivadas, os requerimentos ainda precisam ser aprovados pelo colegiado da CPMI. Mesmo assim, o avanço da comissão sinaliza que o escândalo do INSS segue escalando politicamente e se aproximando cada vez mais do núcleo do governo federal, aumentando a pressão por esclarecimentos públicos e responsabilidades institucionais.

