
Pronunciamento religioso divulgado no mesmo horário do discurso oficial teve alto engajamento e reacendeu debate sobre influência política fora do governo.
Análise do Tema
Na véspera de Natal, em 24 de dezembro de 2025, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um pronunciamento em vídeo nas redes sociais no exato horário da tradicional mensagem natalina do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transmitida em cadeia nacional. A coincidência de horário não passou despercebida e foi interpretada por analistas políticos como um gesto simbólico de contraponto direto ao discurso oficial do governo.

O vídeo de Michelle teve forte apelo religioso e emocional. A publicação trouxe imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro internado, acompanhadas de pedidos de oração por sua saúde, já que ele passaria por um procedimento cirúrgico no dia seguinte. Ao longo da mensagem, Michelle fez referências a “tempos tenebrosos”, perseguições e traições, além de um chamado à fé, à perseverança e à continuidade do propósito político do ex-presidente, encerrando com a saudação “Shalom”.
A publicação foi rapidamente impulsionada por perfis ligados ao Partido Liberal (PL) e por influenciadores alinhados ao bolsonarismo, sendo compartilhada como uma alternativa explícita ao pronunciamento de Lula. O movimento evidenciou a estratégia da direita de disputar a narrativa política mesmo em datas simbólicas tradicionalmente dominadas pelo discurso institucional do governo federal.
Dois dias depois, em 26 de dezembro, a repercussão se intensificou com a divulgação de dados de engajamento nas redes sociais. Informações amplamente compartilhadas indicaram que o vídeo de Michelle Bolsonaro teria superado o conteúdo publicado pelo presidente Lula no Instagram. Segundo números divulgados por perfis influentes da direita, a gravação ultrapassou 1,2 milhão de visualizações em menos de 20 horas, com vantagem de centenas de milhares de views em relação à mensagem presidencial.
Independentemente da precisão absoluta dos números, o episódio reforçou a percepção de que o bolsonarismo mantém alta capacidade de mobilização digital, mesmo fora do poder e em meio a um ambiente institucional adverso. A disputa simbólica na noite de Natal expôs não apenas a força orgânica da base conservadora nas redes, mas também as dificuldades do governo Lula em monopolizar a comunicação política e emocional com a população.
O contraste entre os discursos — um institucional, outro religioso e personalista — ilustra a atual divisão do país e sinaliza que a arena digital segue sendo um dos principais campos de batalha política rumo às eleições de 2026. Para observadores conservadores, o episódio demonstra que a direita permanece viva, engajada e capaz de rivalizar com o aparato oficial do Estado no debate público.

