
Defesa aponta falhas na proteção da ex-deputada e levanta questionamentos sobre garantias mínimas a presos estrangeiros.
Análise do Tema
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi transferida de cela dentro do Complexo Penitenciário de Rebibbia, em Roma, após relatar ter sofrido agressões de outras detentas em ao menos três ocasiões. A informação foi confirmada por sua defesa, que alegou risco à integridade física da parlamentar durante o período de custódia.
Segundo o advogado Fábio Pagnozzi, Zambelli chegou a comunicar a situação à administração do presídio, mas recebeu como resposta que a alta rotatividade de detentas dificultaria a adoção de medidas preventivas mais eficazes. Diante do cenário, a defesa formalizou um pedido de transferência para outro andar da unidade, solicitação que acabou sendo atendida pelas autoridades penitenciárias italianas.
Ainda de acordo com o advogado, não houve registro oficial das agressões junto às autoridades locais, tampouco foram constatados ferimentos aparentes na ex-parlamentar. A ausência de registros formais, no entanto, não elimina o debate sobre as condições de segurança oferecidas a presos estrangeiros envolvidos em casos de grande repercussão política.
Carla Zambelli está presa em Roma desde julho, após deixar o Brasil e se deslocar para a Europa depois de ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão. A condenação decorre da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), realizada com o auxílio do hacker Walter Delgatti Neto, episódio que se tornou um dos casos mais emblemáticos da judicialização da política no país.
O caso reacende discussões sobre o tratamento dispensado a figuras políticas brasileiras no exterior e sobre os desdobramentos internacionais de decisões judiciais tomadas no Brasil. Para setores conservadores, a situação também reforça críticas ao uso excessivo do sistema penal em disputas políticas, enquanto defensores da condenação sustentam que a execução da pena segue os trâmites legais previstos.

