
Velha guarda petista reconhece esgotamento de lideranças, envelhecimento da base e dependência absoluta de Lula para sobreviver eleitoralmente.
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Aquilo que durante anos foi tratado como tabu dentro do Partido dos Trabalhadores começa agora a ser verbalizado de forma explícita por suas próprias lideranças históricas: o PT corre sério risco de não sobreviver politicamente após a saída de Luiz Inácio Lula da Silva do cenário eleitoral. O alerta mais direto partiu de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, ex-presidente da legenda e um dos principais articuladores do projeto petista desde os anos 1980.
Durante um debate recente em São Paulo, Dirceu foi taxativo ao afirmar que prefere “nem pensar no pós-Lula”, reconhecendo um grave problema de renovação de lideranças no partido. Segundo ele, a geração que fundou e conduziu o PT ao poder — incluindo Lula, Rui Falcão e Tarso Genro — já se aproxima ou ultrapassa os 80 anos, sem que haja sucessores naturais preparados para assumir o comando político e eleitoral da sigla.
Dirceu atribui parte da crise ao erro estratégico de Lula ao longo de suas sete campanhas presidenciais, três delas vitoriosas, além de outras em que atuou como principal cabo eleitoral. O presidente jamais organizou de forma consistente uma fila sucessória, optando por centralizar poder e protagonismo. A consequência foi o enfraquecimento ou descarte de quadros que poderiam ter amadurecido politicamente, como o próprio Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão, e Antonio Palocci, que caiu após denúncias mesmo depois de obter prestígio como ministro da Fazenda.
Com sucessivos escândalos corroendo lideranças, Lula passou a apostar em candidaturas tuteladas, sendo o caso mais emblemático o de Dilma Rousseff. A experiência terminou em desastre econômico, crise política profunda e impeachment, deixando sequelas duradouras no partido. Restou, como opção viável, Fernando Haddad, nome técnico e moderado, mas que nunca demonstrou capacidade de mobilização eleitoral comparável à de Lula.
Especialistas apontam que o fenômeno do lulismo superou o próprio petismo. O eleitorado se conecta mais à figura pessoal de Lula do que ao partido, o que reforçou o antipetismo e impediu o surgimento de novas lideranças nacionais. Escândalos como o mensalão, o petrolão, a Lava Jato, as manifestações de 2013 e o impeachment de Dilma aprofundaram essa rejeição, afastando principalmente os jovens.
A tensão interna já se reflete na disputa pela sucessão de Gleisi Hoffmann na presidência do partido, prevista para 2025. A velha guarda apoia Edinho Silva, enquanto alas mais ideológicas defendem José Guimarães. O conflito expõe um partido dividido, envelhecido e sem rumo claro.
O envelhecimento da bancada petista na Câmara dos Deputados reforça esse diagnóstico. Com média de idade de 56 anos, o PT só perde para o PCdoB. Em contraste, o PL, partido associado à direita e ao bolsonarismo, rejuvenesceu sua bancada, reduzindo a média etária para 49 anos e elegendo um grande número de estreantes.
A desconexão com a juventude é evidente. Embora o PT ainda possua cerca de 20 mil filiados entre 16 e 24 anos, analistas apontam que o centralismo em Lula e a estrutura fechada da legenda dificultam a ascensão de novos nomes. Enquanto isso, partidos como o PSOL se modernizaram, apostaram em redes sociais, pautas identitárias e comunicação digital, atraindo jovens militantes que antes orbitavam o petismo.
Os escândalos de corrupção continuam sendo um peso decisivo. Mesmo com absolvições posteriores, o desgaste político permaneceu. Casos envolvendo bilhões em propinas, conforme apontado pela Lava Jato, marcaram de forma profunda a imagem do partido, afastando uma geração inteira de possíveis quadros políticos.
Os números de filiação reforçam a tendência de declínio. Entre maio de 2023 e maio de 2024, o PT cresceu apenas 1,75% em filiados, enquanto o PL avançou mais de 16% no mesmo período. Analistas associam esse desempenho fraco à queda de popularidade de Lula, que hoje apresenta desaprovação maior que aprovação, segundo pesquisas recentes.
A queda atual não significa, necessariamente, o fim imediato da carreira política de Lula. No entanto, quando ele finalmente deixar a vida pública, o projeto que construiu por quatro décadas pode não sobreviver sem sua figura central. O “reinado” petista, sustentado mais por um líder do que por uma ideia sólida de partido, corre o risco de se tornar apenas um capítulo encerrado da história política brasileira.
REFLITA E COMPARE
O PT sobreviveria a uma eleição nacional sem Lula no palanque?
A esquerda brasileira conseguiu se renovar ou apenas envelheceu no poder?
Partidos centrados em líderes carismáticos conseguem construir legado duradouro?
CONCLUSÃO
O reconhecimento público da crise sucessória por José Dirceu não é um detalhe, mas um sinal grave de esgotamento estrutural do PT. Dependente de Lula, envelhecido e marcado por escândalos, o partido enfrenta talvez seu maior desafio desde a fundação: existir politicamente sem o homem que sempre foi seu eixo central.
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