
Relatório oficial revela suspeita de crime contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo bilhões de reais e conexões com esquema de lavagem de dinheiro.
Análise do Tema
O Banco Central do Brasil identificou indícios consistentes de fraudes cometidas pelo Banco Master em operações financeiras realizadas com a gestora de fundos Reag, investigada por ligação com esquemas de lavagem de dinheiro associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações foram encaminhadas ao Ministério Público Federal em novembro, após análise técnica aprofundada conduzida pelo órgão regulador.

As suspeitas surgem em meio às investigações da Polícia Federal que apuram irregularidades nas negociações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Na noite de ontem, a PF concluiu uma acareação entre o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, após divergências relevantes nos depoimentos prestados anteriormente.
A acareação durou cerca de uma hora e ocorreu após depoimentos separados dos envolvidos, incluindo o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, que não é investigado. Segundo investigadores, o depoimento do representante do BC foi considerado técnico, didático e essencial para esclarecer a dinâmica das operações suspeitas.
O procedimento foi marcado por tensão institucional, após divergências entre a delegada responsável, Janaina Palazzo, e o juiz auxiliar do ministro Dias Toffoli. A delegada sustentou a inexistência de ordem judicial que impedisse a acareação conjunta, enquanto o magistrado reforçou determinação para oitivas separadas, com perguntas previamente formuladas pelo próprio Toffoli, exigindo que tal interferência ficasse registrada em ata.
Paralelamente às apurações envolvendo o BRB, o Banco Central detectou indícios de crime contra o Sistema Financeiro Nacional em operações do Banco Master com a gestora Reag. Segundo o relatório encaminhado ao MPF, há suspeitas de que as transações tenham sido estruturadas com o objetivo de desviar recursos do conglomerado financeiro do próprio Master.
A Reag esteve entre os alvos de uma megaoperação da Polícia Federal em agosto, que mirou esquemas de lavagem de dinheiro do PCC. De acordo com as investigações, fundos restritos, não disponíveis ao público em geral, teriam sido utilizados para receber recursos de origem ilícita.
O Banco Central descreveu o suposto esquema de fraude da seguinte forma: empresas ligadas ao esquema tomavam empréstimos junto ao Banco Master e aplicavam os valores em fundos administrados pela Reag; esses fundos, por sua vez, adquiriam títulos supervalorizados de vendedores ligados à própria gestora; os recursos circulavam entre diferentes fundos até retornarem a veículos financeiros controlados por Vorcaro e sócios do Banco Master.
O valor total das transações suspeitas pode alcançar R$ 11,5 bilhões. Segundo o BC, o esquema teria operado entre julho de 2023 e julho de 2024, combinando diferentes instrumentos financeiros em operações complexas que colocaram em risco direto os recursos dos clientes.
O caso expõe fragilidades graves na governança do sistema financeiro e levanta questionamentos sobre a eficácia da fiscalização em operações bilionárias envolvendo bancos privados, fundos restritos e possíveis conexões com o crime organizado.
Acompanhe, compartilhe e fique atento aos próximos desdobramentos deste caso.
