
Ausência dos presidentes do Senado e da Câmara esvazia evento do Planalto e evidencia desgaste político do governo.
Análise do Tema
O ato promovido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para marcar o 8 de janeiro foi marcado por uma ausência significativa: os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, não compareceram ao evento organizado pelo Planalto. Em Brasília, a ausência de lideranças centrais raramente é casual e costuma carregar forte simbolismo político.
A iniciativa do governo buscava reforçar a narrativa de defesa das instituições democráticas e projetar unidade entre os Poderes. No entanto, a falta de representantes máximos do Legislativo acabou esvaziando o impacto institucional do ato e levantando questionamentos sobre o grau real de alinhamento entre o Congresso e o Executivo.
Nos bastidores, a avaliação é de que o gesto reflete um ambiente de crescente distanciamento político. Parlamentares têm demonstrado incômodo com a recorrente instrumentalização do 8 de janeiro como bandeira política, especialmente em um contexto de críticas a excessos do Judiciário, decisões monocráticas e tensão entre Poderes.
A ausência de Alcolumbre e Motta também ocorre em um momento em que o Congresso ampliou seu protagonismo sobre o Orçamento, emendas parlamentares e pautas estratégicas, reduzindo a centralidade do Planalto na condução política do país. Para analistas, o episódio sinaliza que o Legislativo prefere manter cautela e evitar associação direta a atos que já não mobilizam consenso político amplo.
O governo, por sua vez, minimizou a ausência, tratando-a como incompatibilidade de agenda. Ainda assim, a leitura predominante em Brasília é de que o gesto representa um recado claro: o discurso simbólico do Planalto não substitui articulação política efetiva.
O episódio reforça a percepção de isolamento gradual do presidente Lula em relação ao Congresso Nacional. Sem maioria sólida e com dificuldades crescentes de coordenação política, eventos oficiais passam a ter mais valor retórico do que força institucional concreta.
O esvaziamento do ato do 8 de janeiro evidencia que, no jogo político, presença é apoio — e ausência, posicionamento. O desfecho dessa relação entre Executivo e Legislativo será determinante para a governabilidade nos próximos meses.

