
Evento no Planalto tem baixa adesão popular, ausência de líderes dos Poderes e repercussão morna nas ruas e nas redes.
Análise do Tema
O ato promovido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 8 de janeiro de 2026, em referência aos três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, evidenciou mais fragilidades do que força política. Realizada no Palácio do Planalto sob o discurso de “defesa da democracia”, a cerimônia foi marcada por baixa adesão popular, esvaziamento simbólico e ausência de figuras centrais da República.
Chamou atenção a falta dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. A ausência simultânea dos chefes dos outros Poderes reforçou a percepção de isolamento político do Planalto e enfraqueceu a narrativa de unidade institucional que o governo tentou construir em torno da data.
O evento acabou se restringindo a ministros, aliados diretos do PT, centrais sindicais e movimentos tradicionais da esquerda. Mesmo com convocações prévias, não houve grande mobilização nas ruas de Brasília, tampouco participação popular expressiva que justificasse o tom solene adotado pelo governo. A militância presente foi descrita como morna, sem o engajamento massivo que o Planalto esperava.
O ponto alto da cerimônia foi o anúncio do veto integral ao Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso e que previa a redução das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A escolha de transformar o evento em palco para um gesto político controverso ampliou críticas de que o governo utiliza o episódio como instrumento ideológico, em vez de buscar pacificação institucional.
Nas redes sociais, a repercussão foi modesta. O tema não ganhou tração orgânica significativa, e a oposição rapidamente ocupou espaço ao destacar o “esvaziamento” do ato, a ausência de líderes institucionais e o distanciamento entre o discurso oficial e a realidade política. Para críticos, o evento expôs mais o desgaste do governo do que uma demonstração de força democrática.
O fracasso de mobilização reforça a leitura de que o 8 de janeiro segue sendo explorado como símbolo político pelo Planalto, mas já não mobiliza a sociedade como nos anos anteriores. O uso reiterado do episódio, sem avanços concretos na pacificação nacional, parece produzir desgaste e cansaço, inclusive entre setores que antes aderiam ao discurso governamental.
O ato de 2026 termina, assim, como um retrato do momento político: um governo falando para os seus, com dificuldade de ampliar apoio, enfrentando isolamento institucional e incapaz de transformar simbolismo em capital político real.

