
Decisão internacional amplia alcance da liquidação e autoriza acesso a informações sobre bens da instituição.
Análise do Tema
A Justiça dos Estados Unidos reconheceu oficialmente, nesta quinta-feira (8/1), o processo de liquidação do Banco Master, determinado pelo Banco Central do Brasil. A decisão representa um avanço significativo na condução do caso, ao bloquear ativos da instituição em território americano e autorizar o liquidante a acessar informações detalhadas sobre bens, papéis e operações vinculadas ao banco no país.

Com o reconhecimento judicial, todas as pessoas físicas e jurídicas ficam impedidas de iniciar ou dar continuidade a qualquer ação relacionada aos ativos, direitos, obrigações ou responsabilidades do Banco Master localizados nos Estados Unidos. A medida confere segurança jurídica ao processo de liquidação e evita a dissipação de patrimônio durante a apuração.
O liquidante nomeado pelo Banco Central, Eduardo Félix Bianchini, viajou a Miami na quarta-feira (7/1) justamente com o objetivo de identificar e verificar ativos da instituição no exterior. Bianchini integra a EFB Regimes Especiais de Empresas, responsável pela condução técnica da liquidação, e atua diretamente na localização de bens que possam compor o acervo a ser administrado.
O Banco Master mantém um escritório alugado nos Estados Unidos, localizado no edifício de alto padrão 830 Brickell Plaza, em Miami, endereço que abriga grandes corporações internacionais, como a Microsoft. A ida presencial do liquidante à Flórida reforça a seriedade da apuração e indica que o Banco Central busca mapear com precisão a real extensão das operações e dos ativos do banco fora do Brasil.
A decisão da Justiça americana também permite que o liquidante tenha acesso a documentos, registros financeiros e informações estratégicas sobre movimentações realizadas no país, ampliando o alcance da investigação patrimonial. Trata-se de um passo fundamental para garantir transparência, preservar credores e evitar manobras que possam ocultar recursos durante o processo.
O reconhecimento internacional da liquidação evidencia a gravidade da situação do Banco Master e coloca o caso sob escrutínio jurídico além das fronteiras nacionais. Ao envolver o sistema judicial dos Estados Unidos, o processo ganha robustez institucional e dificulta qualquer tentativa de blindagem patrimonial no exterior.
O desdobramento do caso tende a ter impactos relevantes no sistema financeiro e no debate sobre fiscalização, governança e atuação do Banco Central em regimes especiais. A condução firme da liquidação, agora respaldada por decisão estrangeira, sinaliza que o processo seguirá com rigor técnico e alcance global, ampliando a pressão por esclarecimentos completos sobre a atuação do Banco Master.

