
Presidente critica uso da força contra Maduro, ignora histórico de ditadura e envia ajuda ao regime chavista.
Análise do Tema
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a utilizar o discurso de “defesa da soberania” para se posicionar ao lado de regimes autoritários na América Latina. Em conversa telefônica com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, nesta quinta-feira (8), Lula criticou ações militares contra a Venezuela e afirmou que o uso da força violaria o direito internacional, a Carta das Nações Unidas e a soberania venezuelana.

O discurso, no entanto, contrasta com a prática histórica do próprio governo brasileiro. Sob a bandeira da soberania, Lula ignora sistematicamente o caráter ditatorial do regime de Nicolás Maduro, marcado por prisões arbitrárias, perseguição política, censura, colapso econômico e denúncias reiteradas de violações de direitos humanos — inclusive reconhecidas por relatórios oficiais da própria ONU.
Ao lado de Petro, Lula defendeu que a crise venezuelana seja resolvida “exclusivamente por meios pacíficos”, por meio do diálogo e do respeito à vontade popular. O problema central dessa narrativa é que a vontade do povo venezuelano vem sendo sistematicamente anulada por eleições contestadas, repressão a opositores e controle absoluto das instituições pelo chavismo.
Mesmo diante desse cenário, o presidente brasileiro elogiou o anúncio da Assembleia Nacional da Venezuela sobre a liberação de presos, tratando o gesto como sinal positivo, embora organizações independentes apontem que libertações pontuais são frequentemente usadas como estratégia política para aliviar pressões internacionais, sem mudança estrutural no regime.
Além do apoio político, Lula anunciou o envio de 40 toneladas de insumos e medicamentos à Venezuela, a pedido do próprio governo Maduro. O material faz parte de um total de 300 toneladas arrecadadas pelo Brasil e será destinado ao reabastecimento de produtos armazenados em um centro atingido por bombardeios no início de janeiro.
A decisão reforça a percepção de que o governo Lula prefere atuar como fiador internacional de ditaduras aliadas, enquanto evita qualquer cobrança efetiva por democracia, eleições livres ou respeito aos direitos humanos. O discurso de soberania, nesse contexto, deixa de ser um princípio legítimo e passa a funcionar como escudo retórico para regimes autoritários.
Ao se colocar novamente ao lado do chavismo, Lula se distancia de democracias consolidadas e se aproxima de governos que usam o Estado para reprimir, controlar e silenciar seus próprios povos. A retórica pacifista não apaga o fato de que soberania sem liberdade não passa de autoritarismo institucionalizado.

