
Parlamentares denunciam violações constitucionais, penas desproporcionais e prometem reagir ainda durante o recesso.
Análise do Tema
A oposição ao governo Lula reagiu de forma imediata e coordenada ao veto integral do presidente ao Projeto de Lei da Dosimetria, que previa a redução das penas impostas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Minutos após o anúncio do veto, a deputada Caroline de Toni (PL-SC) protocolou requerimento solicitando a convocação de uma sessão extraordinária do Congresso Nacional, mesmo durante o recesso parlamentar, com o objetivo de derrubar a decisão presidencial.

Segundo Caroline, a urgência da sessão se justifica pela gravidade das irregularidades jurídicas envolvidas nas condenações. A parlamentar afirmou que não há tema mais urgente do que revisar situações de pessoas presas sob processos marcados por ilegalidades, ausência de garantias constitucionais e penas consideradas manifestamente desproporcionais. Para a deputada, o veto de Lula ignora princípios básicos do Estado de Direito.
No requerimento apresentado, Caroline de Toni lista uma série de supostas violações constitucionais ocorridas nos julgamentos relacionados ao 8 de janeiro. Entre elas, a supressão do duplo grau de jurisdição, a ausência de individualização das condutas, o cerceamento do direito de defesa e o afastamento da presunção de inocência, elementos que, segundo a oposição, comprometem a legitimidade das condenações.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), reforçou o discurso político ao afirmar que o veto é fruto de ódio ideológico do presidente e da esquerda contra a direita e os conservadores. De forma direta, declarou que o veto será derrubado na primeira sessão do Congresso, demonstrando confiança na maioria formada durante a aprovação do projeto nas duas Casas.
Cabo Gilberto Silva, líder da oposição, também se manifestou e lançou um manifesto convocando parlamentares a reagirem politicamente ao evento promovido por Lula no Palácio do Planalto. Para a oposição, a escolha da data do veto — no aniversário de três anos do 8 de janeiro — evidencia o uso político do episódio como instrumento de narrativa e enfrentamento ideológico.
Caso a sessão extraordinária seja autorizada, o Congresso poderá derrubar o veto com maioria absoluta: 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 no Senado Federal. A movimentação expõe um novo embate institucional entre Executivo e Legislativo e indica que o governo poderá sofrer uma derrota significativa logo no início do ano legislativo.
O episódio reforça a percepção de que o veto à dosimetria não encerra o debate, mas aprofunda a crise política e jurídica em torno do 8 de janeiro. Para a oposição, a insistência do governo em manter penas elevadas e decisões controversas revela uma estratégia de radicalização ideológica, que pode custar caro politicamente a Lula diante de um Congresso cada vez mais resistente.

