
Aumento de apenas 0,37% para 2026 fica muito abaixo da inflação e gera revolta entre docentes.
Análise do Tema
O Ministério da Educação deve oficializar para 2026 um reajuste de apenas 0,37% no piso salarial nacional dos professores da educação básica. Na prática, isso representa um acréscimo irrisório de R$ 18,10, elevando o piso atual de R$ 4.867,77 para um valor incapaz de repor sequer as perdas inflacionárias do período.

A definição ocorre em meio à falta de consenso entre estados, municípios e representantes da categoria, revelando mais uma vez a fragilidade do modelo adotado pelo governo federal para tratar a valorização do magistério. O índice, previsto na Lei do Piso do Magistério de 2008, é calculado com base em dados do Fundeb — profundamente alterados após mudanças estruturais aprovadas em 2020 e impactados pela queda no número de matrículas.
O resultado é um sistema instável, imprevisível e desconectado da realidade econômica, que penaliza diretamente os professores e coloca gestores locais sob pressão orçamentária. Enquanto o custo de vida sobe, o reajuste simbólico escancara a distância entre o discurso oficial de valorização da educação e a prática efetiva do governo.
A repercussão negativa foi imediata. A reação de uma jornalista do UOL ao divulgar o valor do reajuste viralizou nas redes sociais, sintetizando a indignação generalizada diante do que muitos consideram um desrespeito institucional à categoria. O episódio reforça a percepção de que a educação pública segue sendo tratada como retórica política, não como prioridade concreta.
Além do impacto direto sobre os profissionais da educação, o reajuste pífio também gera desgaste político para o presidente Lula em um cenário pré-eleitoral sensível. Professores representam uma base numerosa, organizada e influente, especialmente no debate público e nas eleições municipais e nacionais.
Ao optar por cumprir a lei de forma meramente formal, sem qualquer gesto de compensação ou revisão do modelo, o governo sinaliza conformismo com a desvalorização do magistério. O resultado é previsível: frustração, desmotivação e aprofundamento da crise de credibilidade nas promessas de valorização da educação.
Educação não se fortalece com discursos, mas com decisões. Um reajuste de R$ 18 não é valorização — é um recado.

