
Maior operação da história da polícia espanhola expõe rota transatlântica do narcotráfico e falhas no controle regional
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A Polícia Nacional da Espanha anunciou nesta segunda-feira (12) a maior apreensão de cocaína já registrada em alto-mar no país. Ao todo, foram interceptadas 9.994 toneladas da droga, distribuídas em 294 fardos, escondidas em um navio cargueiro de bandeira dos Camarões que partiu do Brasil com destino à Europa.

A carga ilícita estava camuflada entre toneladas de sal declaradas como mercadoria legítima, evidenciando o alto grau de sofisticação logística do narcotráfico internacional. A abordagem foi realizada pelo Grupo Especial de Operações (GEO) em pleno Oceano Atlântico, a cerca de 535 quilômetros das Ilhas Canárias.
Durante a ação, os agentes prenderam os 13 tripulantes da embarcação e apreenderam uma arma de fogo, utilizada, segundo as autoridades, para garantir a proteção do carregamento. O navio, que ficou sem combustível após a operação, foi rebocado até o porto de Tenerife, onde a droga foi oficialmente descarregada e catalogada.
Batizada de Operação Marea Blanca, a ofensiva superou o antigo recorde espanhol de 7,5 toneladas de cocaína apreendidas em 1999, tornando-se um marco histórico no combate ao narcotráfico marítimo. A ação contou com ampla cooperação internacional, envolvendo a Polícia Federal do Brasil, a DEA dos Estados Unidos, a NCA do Reino Unido, além de autoridades da França e de Portugal.
O caso reacende alertas sobre o papel do Brasil nas rotas globais do tráfico de drogas. Embora o país não seja grande produtor de cocaína, sua posição geográfica e fragilidades no controle portuário e marítimo transformaram o território nacional em corredor estratégico para organizações criminosas que abastecem o mercado europeu.
Especialistas em segurança apontam que operações desse porte dificilmente ocorrem sem redes bem estruturadas de apoio logístico, corrupção e lavagem de dinheiro. A apreensão recorde levanta questionamentos sobre a eficácia das políticas de combate ao crime organizado e sobre a capacidade do Estado brasileiro de conter o avanço dessas facções em seus portos e fronteiras.
Para autoridades europeias, o golpe representa uma vitória relevante, mas longe de ser definitiva. O volume da carga indica que o narcotráfico segue operando em escala industrial, com recursos financeiros, inteligência e articulação internacional comparáveis aos de grandes corporações.
REFLITA E COMPARE
Como um navio carregado com quase 10 toneladas de droga consegue sair do Brasil sem ser interceptado?
O combate ao narcotráfico é prioridade real ou apenas discurso político?
Quem lucra quando o Estado falha em controlar rotas estratégicas?
A Operação Marea Blanca escancara que o narcotráfico não é apenas um problema policial, mas uma ameaça direta à soberania, à segurança e à credibilidade internacional dos países envolvidos. Enquanto o crime se globaliza, governos que relativizam segurança e enfraquecem suas instituições acabam pagando um preço alto — interna e externamente.
Deixe seu comentário: o Brasil está fazendo o suficiente para combater o narcotráfico internacional?
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