
Oposição resgata falas de Lula e questiona relação histórica da esquerda brasileira com regimes autoritários latino-americanos.
Análise do Tema
A prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro provocou forte reação no cenário político brasileiro e reacendeu o debate sobre a histórica relação do Partido dos Trabalhadores com o Foro de São Paulo. Criado em 1990 por iniciativa de Luiz Inácio Lula da Silva, em parceria com Fidel Castro, o grupo sempre foi apontado por críticos como um eixo de articulação política entre partidos de esquerda e regimes autoritários da América Latina.
Com a queda de Maduro, políticos e influenciadores de direita passaram a resgatar declarações antigas de Lula nas quais o próprio presidente admite o papel do Foro na ascensão da esquerda ao poder no continente. Em discurso durante o XIX Encontro do Foro de São Paulo, em 2013, Lula afirmou: “Devemos muito aos companheiros cubanos”, reconhecendo que a articulação do grupo foi decisiva para a chegada de governos alinhados ideologicamente ao PT.
Para a oposição, a prisão de Maduro não é um fato isolado, mas o colapso de um projeto político sustentado por alianças ideológicas que ignoraram violações de direitos humanos, perseguição a opositores e destruição econômica. A Venezuela, outrora uma das maiores economias da região, tornou-se símbolo do fracasso do socialismo latino-americano, com milhões de refugiados espalhados pelo mundo.
O episódio também pressiona o governo Lula no campo internacional. Mesmo após anos de denúncias contra o regime chavista, o presidente brasileiro manteve discurso de relativização, defendendo Maduro e atacando sanções internacionais, sempre sob o argumento da “soberania” e da “não intervenção”. Agora, com a prisão do ditador, esse discurso passa a ser questionado de forma mais contundente.
Críticos afirmam que o Foro de São Paulo deixou de ser apenas um espaço de debate ideológico e se transformou em um instrumento de sustentação política de regimes autoritários. A exposição dessas conexões, segundo analistas conservadores, tende a ganhar força à medida que novos fatos vêm à tona e antigas alianças são revisitadas.
A queda de Maduro, portanto, não atinge apenas a Venezuela. Ela lança luz sobre décadas de conivência política, silêncios estratégicos e alianças ideológicas que ajudaram a manter ditaduras no poder, enquanto discursos de democracia eram usados apenas como retórica conveniente. O debate sobre o Foro de São Paulo volta ao centro da cena e promete pesar no jogo político brasileiro até 2026.

