
Primeira pesquisa do ano revela crescimento da direita, rejeição elevada ao governo e um cenário ainda instável para a sucessão presidencial.
Análise do Tema
A primeira pesquisa Genial/Quaest do ano eleitoral, divulgada nesta quarta-feira, aponta um avanço significativo do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) na disputa presidencial de 2026. Segundo o levantamento, ele chegou a até 32% das intenções de voto no primeiro turno, consolidando-se como um dos principais nomes do campo conservador.
O crescimento de Flávio ocorre em um contexto de desgaste progressivo do governo Lula, marcado por aumento de impostos, descontrole fiscal e queda de confiança da população na condução econômica do país. O desempenho do senador indica que uma parcela expressiva do eleitorado busca uma alternativa clara ao projeto petista, mesmo diante do uso intenso da máquina pública pelo atual presidente.
Apesar disso, a pesquisa mostra que Lula (PT) ainda aparece como vencedor em todos os cenários de segundo turno testados, com vantagens que variam entre 5 e 20 pontos percentuais. O dado, porém, reflete mais o peso do cargo e a exposição institucional do presidente do que uma aprovação sólida de sua gestão, que segue enfrentando índices elevados de rejeição.
Analistas destacam que pesquisas realizadas com tanta antecedência tendem a superestimar candidatos que ocupam o Planalto, enquanto subestimam movimentos de consolidação da oposição. O próprio histórico eleitoral brasileiro mostra que cenários desenhados com mais de um ano de antecedência costumam sofrer alterações profundas à medida que crises econômicas, escândalos e frustrações de expectativas se acumulam.
O avanço de Flávio Bolsonaro também evidencia que o bolsonarismo segue vivo e competitivo, contrariando a narrativa de que a direita estaria politicamente esvaziada. A possibilidade de unificação do campo conservador, somada ao desgaste natural de um terceiro mandato de Lula, pode tornar o segundo turno de 2026 muito mais disputado do que o sistema político e a velha imprensa admitem hoje.
O levantamento reforça, ainda, que a eleição não será decidida apenas por nomes, mas pelo desempenho concreto do governo nos próximos meses. Caso o cenário de inflação persistente, arrocho sobre a classe média e expansão do assistencialismo continue, a vantagem atual de Lula tende a encolher.

