
Presidente brasileiro acusa líder americano de “governar o mundo pelo Twitter” enquanto ignora impactos da desinformação doméstica.
Análise do Tema
Durante evento oficial realizado nesta terça-feira (20), no Rio Grande do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a usar o palanque para fazer críticas diretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Lula, o republicano tenta “governar o mundo pelo Twitter (X)”, insinuando que declarações feitas nas redes sociais teriam influência excessiva sobre o cenário internacional.
“O que ele fala todo dia vira assunto do mundo todo”, afirmou Lula, em tom de reprovação, ao comentar o alcance global das publicações de Trump. A crítica, no entanto, gerou reações imediatas, já que o próprio presidente brasileiro é conhecido por declarações improvisadas que frequentemente causam repercussão negativa dentro e fora do país.
No mesmo discurso, Lula também atacou o que chamou de “uso excessivo da internet” e a disseminação de notícias falsas. Para o petista, “não é possível esse país estar subordinado à leviandade da mentira”, defendendo maior responsabilidade na comunicação pública e respeito à população.
A fala chama atenção pela contradição evidente. O governo Lula tem convivido com episódios recorrentes de desinformação, narrativas distorcidas e uso político da comunicação institucional, muitas vezes com apoio de militância digital organizada. Além disso, setores do próprio governo e aliados defendem maior controle sobre redes sociais, o que levanta preocupações sobre liberdade de expressão e censura velada.
Ao atacar Trump, Lula tenta se reposicionar no discurso internacional como defensor da responsabilidade institucional, mas ignora que o impacto global das redes sociais é um fenômeno irreversível, não uma escolha individual. O protagonismo de Trump nas plataformas digitais se deve, em grande parte, à relevância geopolítica dos Estados Unidos — algo que o Brasil, sob o atual governo, tem perdido progressivamente.
Especialistas avaliam que o discurso também reflete um incômodo do governo brasileiro com a dificuldade de controlar narrativas no ambiente digital. Diferentemente da imprensa tradicional, as redes sociais reduziram o monopólio da informação e ampliaram o espaço para críticas diretas, algo que incomoda governos com tendência a centralizar o discurso.
Enquanto Lula aponta o dedo para líderes estrangeiros e culpa a internet pelos problemas do debate público, o Brasil enfrenta desafios reais: economia fragilizada, aumento da desconfiança institucional e crescente polarização política. Culpar as redes ou líderes externos pode render aplausos momentâneos, mas não substitui governança eficiente, transparência e resultados concretos.
No fim, a crítica a Trump soa menos como uma análise séria sobre comunicação global e mais como uma tentativa de desviar o foco das dificuldades internas de um governo que luta para controlar a narrativa em um mundo cada vez mais conectado e menos tolerante a discursos vazios.

