
Pesquisa mostra rejeição fora da margem de erro e reforça cenário de insatisfação crescente com a gestão petista.
Análise do Tema
A desaprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu 53,5% dos brasileiros, segundo levantamento da Apex/Futura, divulgado nesta quinta-feira (22). Apenas 43,0% afirmam aprovar a gestão petista, enquanto o restante não soube ou preferiu não responder. A diferença permanece fora da margem de erro, indicando um quadro estatisticamente consolidado de desgaste político.
O resultado reforça uma tendência já observada em pesquisas anteriores: a erosão contínua do apoio popular ao governo Lula. Após vencer a eleição por uma margem inferior a 1% dos votos, o presidente não conseguiu formar capital político suficiente para sustentar promessas de campanha nem para amortecer os efeitos de uma gestão marcada por inflação persistente, juros elevados, aumento de combustíveis e deterioração fiscal.
A queda de aprovação ocorre em um contexto de frustração econômica e social. Promessas simbólicas, como melhora no poder de compra da população, redução do custo dos alimentos e fortalecimento de políticas públicas essenciais, não se materializaram. Pelo contrário, itens básicos ficaram mais caros, enquanto áreas sensíveis como saúde e educação enfrentam contingenciamentos e reajustes considerados irrisórios, como o aumento de apenas R$ 18 no piso dos professores.
Além do cenário econômico, pesa contra o governo a percepção de prioridades distorcidas, com foco excessivo em pautas ideológicas, política externa alinhada a regimes autoritários e conflitos constantes com setores produtivos e investidores. Esse conjunto de fatores tem contribuído para o aumento da rejeição, inclusive entre eleitores que apoiaram Lula em 2022, mas hoje demonstram arrependimento.
A pesquisa da Apex/Futura também dialoga com um ambiente político cada vez mais adverso ao Planalto. O avanço da oposição, especialmente no Senado, e o fortalecimento de nomes ligados ao campo conservador indicam que o governo pode enfrentar dificuldades ainda maiores até 2026, tanto no Congresso quanto nas urnas.
Os números revelam um dado central: os fatos começam a se impor sobre a narrativa. A desaprovação majoritária sinaliza que o discurso já não é suficiente para compensar a falta de entregas concretas. Para Lula, o alerta é claro: sem resultados reais e mudança de rumo, a tendência é de aprofundamento do desgaste e isolamento político progressivo.

