
Nova composição das bancadas sinaliza avanço da direita e enfraquecimento da base governista às vésperas do ano eleitoral.
Análise do Tema
O Senado Federal iniciou 2026 com uma mudança relevante em sua correlação de forças, marcando de forma clara o início do ano eleitoral. O Partido Liberal (PL) passou a ser a maior bancada da Casa, com 15 senadores, ultrapassando o PSD, que agora soma 14 parlamentares.
O dado não é apenas numérico, mas político. Desde 2023, o PSD liderava o Senado e exercia papel central nas articulações do governo Lula. A perda de uma cadeira enfraquece esse protagonismo e abre espaço para uma oposição mais organizada, com capacidade real de pressão institucional.
Em terceiro lugar, o MDB manteve sua posição histórica de partido de centro com influência estratégica, mas também sofreu retração, passando a 10 senadores. Já o PT, partido do presidente da República, aparece apenas como a quarta maior bancada, com 9 parlamentares, número que evidencia a fragilidade da base governista no Senado — justamente a Casa responsável por pautas sensíveis como indicações ao STF, sabatinas, CPIs e processos de impeachment.
Completando o grupo das cinco maiores bancadas, o PP conta com 7 senadores, consolidando-se como força relevante no jogo político e potencial fiel da balança em votações decisivas.
As mudanças são resultado direto de movimentações partidárias ao longo de 2025, que refletem uma reorganização antecipada para 2026. Entre os casos mais simbólicos estão:
- Márcio Bittar (AC), que deixou o União Brasil para se filiar ao PL, fortalecendo a oposição;
- Alan Rick (AC), que migrou do União Brasil para o Republicanos;
- Daniella Ribeiro (PB), que saiu do PSD e ingressou no PP;
- Giordano (SP), que se desfiliou do MDB e segue sem partido.
O avanço do PL no Senado ocorre em paralelo ao crescimento eleitoral da direita nas pesquisas, especialmente com o nome de Flávio Bolsonaro, e reforça um ponto central: mesmo que Lula dispute a reeleição, o Congresso tende a ser cada vez mais hostil ao Planalto.
Na prática, o novo desenho do Senado antecipa um cenário de maior fiscalização, menos blindagem política e mais dificuldade para agendas ideológicas do governo. Projetos que envolvam gastos públicos, expansão do Estado ou interferência institucional devem enfrentar resistência crescente.
O recado é claro: a disputa de 2026 não será apenas presidencial. O Senado emerge como o verdadeiro campo de batalha, e a esquerda, desta vez, entra em desvantagem estrutural.

