
Presença no Palácio do Planalto reacende críticas sobre coerência, seletividade moral e uso político de causas sensíveis.
O ex-deputado federal Julian Lemos participou, na manhã desta quarta-feira (4/2), de um ato promovido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto contra o feminicídio. A presença chamou atenção porque Lemos já foi alvo de denúncias de violência doméstica, com registros baseados na Lei Maria da Penha, envolvendo sua ex-esposa e sua irmã.

Ex-aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Julian Lemos respondeu a três procedimentos relacionados a acusações de agressão. No primeiro caso, a ex-companheira Ravena Coura o denunciou em 2013 por agressão física e ameaça com arma de fogo, episódio que resultou em prisão em flagrante. Em 2016, houve nova denúncia, na qual Ravena relatou comportamento violento e ameaças diretas à sua integridade.

No mesmo ano, a irmã do ex-parlamentar, Kamila Lemos, também procurou a polícia, afirmando ter sido agredida fisicamente após tentar intervir em uma discussão entre o irmão e a então esposa. Segundo o relato, houve ofensas verbais, empurrões e murros. Em ambos os casos, as denunciantes posteriormente retiraram as queixas, e os processos foram arquivados.
Do ponto de vista político, o episódio revela uma fragilidade narrativa do governo Lula ao permitir que figuras com histórico controverso ocupem espaço simbólico em atos que deveriam representar coerência moral e institucional. A pauta do combate à violência contra a mulher é séria, sensível e legítima, mas perde força quando associada a personagens cuja trajetória pública contradiz o discurso defendido no palco.
O impacto para o cidadão é direto: quando a política transforma causas sociais em palanque seletivo, a credibilidade do discurso se esvazia. Não se trata de condenação judicial — trata-se de coerência ética e de responsabilidade simbólica de quem organiza atos oficiais em nome de valores universais.
O fechamento é inevitável: quando o combate ao feminicídio aceita qualquer aliado circunstancial, o discurso vira conveniência. A pergunta que fica é simples e incômoda — o governo está comprometido com a causa ou apenas com a imagem que ela projeta?
As informações são baseadas em registros policiais, relatos publicados pela imprensa e dados públicos sobre os procedimentos envolvendo Julian Lemos, arquivados após a retirada das queixas.

