
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, comparecerá à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no dia 24 e à CPMI do INSS no dia 26 de fevereiro.
A defesa do empresário confirmou que ele participará das duas oitivas e não pretende impetrar habeas corpus para garantir silêncio total durante os depoimentos. A estratégia anunciada é de “colaboração institucional”, embora preservando o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmo — princípio jurídico conhecido como nemo tenetur se detegere.
Vorcaro está atualmente em prisão domiciliar e será escoltado pela Polícia Federal até Brasília.
O QUE ESTÁ EM JOGO
As sessões ocorrem em meio a investigações que envolvem:
- Suspeitas de fraudes em empréstimos consignados ligados ao INSS
- Operações financeiras consideradas atípicas
- Possíveis conexões com agentes políticos
- Prejuízos a fundos previdenciários
A expectativa no Senado é alta porque o caso extrapolou o âmbito financeiro e ganhou dimensão política.
A ESTRATÉGIA DA DEFESA
Ao optar por comparecer e falar de forma seletiva, a defesa constrói três objetivos possíveis:
- Evitar desgaste público de uma postura de silêncio absoluto;
- Demonstrar disposição de cooperação, reduzindo pressão institucional;
- Controlar o dano, respondendo apenas ao que considerar estratégico.
Esse modelo é comum em casos de alta exposição: o depoente fala o suficiente para não parecer evasivo, mas preserva pontos sensíveis com base no direito constitucional.
PRESSÃO POLÍTICA CRESCENTE
A CPMI do INSS já nasce sob forte polarização. Parlamentares de oposição veem nas oitivas a chance de revelar conexões mais amplas. Já aliados do governo defendem cautela e afirmam que é preciso evitar “espetacularização”.
Na prática, tudo dependerá de:
- Quais documentos já estão nas mãos da comissão
- Se haverá contradições em relação a investigações em curso
- Se surgirão menções diretas a autoridades
LEITURA POLÍTICA
Na minha opinião, Osmildo, o fato de Vorcaro decidir falar indica que a defesa acredita ter mais a ganhar com exposição controlada do que com silêncio absoluto.
Quando um empresário desse porte aceita sentar diante de uma CPMI sem buscar blindagem total, é porque há cálculo. Ou ele pretende delimitar responsabilidade, ou quer sinalizar que não está isolado no processo.
O ponto central agora é:
ele falará apenas sobre operações técnicas — ou o depoimento terá impacto político direto?

