
Fraude envolvia compra de farmácias cadastradas e lançamento de vendas fictícias para obter reembolsos do governo federal.
Uma operação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU) desarticulou um esquema que teria desviado cerca de R$ 30 milhões do programa Farmácia Popular durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A ação cumpriu mandados em quatro estados e revelou um modelo estruturado de fraude: investigados adquiriam farmácias já cadastradas no programa, registravam os estabelecimentos em nome de “laranjas” e lançavam vendas fictícias de medicamentos. Com isso, solicitavam reembolsos indevidos ao governo federal.
As investigações começaram após denúncia de uso indevido de CPF em uma transação registrada sem o consentimento do titular. A partir daí, os órgãos de controle identificaram movimentações incompatíveis com o funcionamento regular das farmácias envolvidas.
COMO FUNCIONA O PROGRAMA
Criado para ampliar o acesso a medicamentos gratuitos ou com desconto, o Farmácia Popular opera por meio de reembolso às farmácias credenciadas que fornecem os produtos à população.
O modelo depende de controle rigoroso de dados, cruzamento de informações fiscais e validação das vendas registradas. Quando há manipulação dessas informações, o impacto é direto nos cofres públicos e na credibilidade do programa.
IMPACTO POLÍTICO E INSTITUCIONAL
O caso surge em meio a um ambiente político sensível, com o presidente enfrentando desgaste pré-eleitoral e críticas recorrentes da oposição sobre controle de gastos e fiscalização de programas sociais.
É importante destacar que a operação foi conduzida por órgãos de Estado — Receita, Polícia Federal e CGU — o que demonstra funcionamento institucional dos mecanismos de controle. Até o momento, não há indicação de envolvimento direto de autoridades do alto escalão do governo.
Ainda assim, fraudes em políticas públicas estratégicas alimentam o discurso de fragilidade na gestão e exigem resposta rápida e transparente do Executivo.
Programas sociais são ativos políticos poderosos. Quando atingidos por escândalos, tornam-se também pontos de vulnerabilidade.
O desafio agora é duplo: responsabilizar os envolvidos e reforçar os mecanismos de auditoria para evitar novos desvios.
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