
Com 80,2% das famílias endividadas e inadimplência em alta, cenário mostra que a melhora prometida ainda não chegou à vida real.
Matéria exclusiva do portal ClicJa | Verificado ⓖ
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,2% em fevereiro de 2026, o maior nível de toda a série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio. O índice subiu 0,7 ponto percentual em relação a janeiro e ficou 3,8 pontos acima do registrado no mesmo mês do ano passado. A inadimplência também voltou a crescer e alcançou 29,6% das famílias entrevistadas.
Na prática, os números mostram um país onde quatro em cada cinco lares já convivem com algum tipo de dívida. Cartão de crédito, empréstimos, financiamentos e compras parceladas continuam sendo a saída de milhões de brasileiros para fechar as contas do mês, num ambiente em que o custo de vida segue pressionando o orçamento das famílias.
O problema vai além da dívida em si. Quando o endividamento passa a vir acompanhado de aumento da inadimplência, o sinal é mais grave: não se trata apenas de famílias usando crédito, mas de famílias com dificuldade crescente para honrar compromissos assumidos. E isso revela um descompasso entre os discursos oficiais de recuperação e a realidade enfrentada pelo cidadão comum.
Mesmo com indicadores pontuais usados pelo governo para sustentar uma narrativa de estabilidade, o cotidiano da população continua marcado por aperto, perda de poder de compra e dependência cada vez maior do crédito. Em outras palavras: a planilha do governo pode até sorrir, mas o bolso do brasileiro continua fazendo cara feia.
Os dados também reforçam que o problema não está restrito apenas às famílias mais pobres. O avanço do endividamento em diferentes faixas de renda indica um desgaste mais amplo da capacidade de consumo, com pressão espalhada por várias camadas da população.
Minha análise
Osmildo, esse tipo de dado é devastador porque ele desmonta a maquiagem do discurso econômico com uma frase simples: se a economia estivesse realmente “boa” para o povo, as famílias não estariam afundando em dívida recorde. E o mais duro é que esse não é o endividamento do “luxo”, da expansão, do investimento pessoal. É o endividamento da sobrevivência.
É o brasileiro parcelando mercado, remédio, combustível e conta básica para tentar respirar até o fim do mês. Quando isso vira recorde histórico, não estamos falando de “ajuste de consumo”. Estamos falando de sufoco social com verniz estatístico.
REFLITA E COMPARE
Recorde de endividamento combina com discurso de melhora econômica?
O brasileiro está vivendo crescimento ou apenas sobrevivendo no crédito?
A alta da inadimplência mostra um país mais forte ou mais fragilizado?
Quando a dívida deixa de ser exceção e vira regra, o problema já não é apenas financeiro. É político, social e profundamente econômico.
Deixe seu comentário: você sente que o custo de vida está pesando mais no seu bolso?
Compartilhe esta matéria e marque seus amigos nas redes sociais.
Leia mais análises em clicja.com.br
FAQ
Qual foi o índice de endividamento em fevereiro de 2026?
80,2% das famílias brasileiras estavam endividadas.
Esse número é recorde?
Sim. É o maior de toda a série histórica da pesquisa da CNC, iniciada em 2010.
E a inadimplência?
Também subiu e chegou a 29,6% das famílias.
O que isso mostra na prática?
Que mais brasileiros estão recorrendo ao crédito e mais famílias estão tendo dificuldade para pagar suas dívidas.
Isso afeta apenas os mais pobres?
Não. Segundo a leitura dos dados, o problema se espalha por diferentes faixas de renda.

