
Relator do projeto afirma que veto presidencial ignora diálogo do Congresso e aprofunda divisão institucional.
Análise do Tema
O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do chamado PL da Dosimetria, criticou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o veto integral ao projeto que previa a redução das penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro. Segundo o parlamentar, a decisão do presidente representa a ruptura deliberada de um esforço de pacificação institucional construído no Congresso Nacional.
Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (8), Paulinho afirmou que o Congresso entregou ao presidente uma “bandeira branca da paz” e que Lula teria optado por rasgá-la e colocá-la “no fogo”. A declaração reflete o grau de insatisfação de setores do Legislativo que viam no projeto uma tentativa de reduzir tensões políticas, promover estabilidade e sinalizar maturidade institucional após anos de conflitos.

O PL da Dosimetria foi aprovado com ampla maioria nas duas Casas legislativas: 291 votos a favor e 148 contrários na Câmara dos Deputados, além de 48 votos favoráveis e 25 contrários no Senado. Para Paulinho da Força, o resultado expressivo demonstra que o texto não foi fruto de radicalismo, mas de um processo de diálogo envolvendo diferentes partidos, lideranças políticas e setores da sociedade.
O deputado destacou que o projeto foi elaborado com responsabilidade, buscando equilíbrio entre punição e proporcionalidade das penas. Na avaliação dele, o veto presidencial ignora o esforço coletivo do Parlamento e reforça uma postura de confronto, em vez de conciliação, em um momento em que o país demandaria estabilidade política e institucional.
Paulinho, que já foi aliado histórico de Lula, tem se distanciado do governo nos últimos tempos. Suas declarações indicam não apenas uma divergência pontual sobre o veto, mas um desgaste mais amplo na relação entre o Planalto e setores do chamado “centrão sindical”, que tradicionalmente orbitavam a base petista.
O episódio evidencia o aprofundamento da tensão entre Executivo e Legislativo, especialmente em temas ligados ao 8 de janeiro. Para críticos do governo, o veto reforça a percepção de que Lula prefere manter o tema como instrumento político e simbólico, em vez de buscar soluções que contribuam para a pacificação nacional.
Ao rejeitar um projeto aprovado por ampla maioria, o presidente assume o risco de ampliar fissuras institucionais e alimentar a narrativa de que decisões sensíveis estão sendo tomadas mais por conveniência política do que por compromisso com a harmonia entre os Poderes.

