
Documento propõe alinhamento com regimes autoritários e expõe risco de radicalização da política externa brasileira.
Análise do Tema
Um documento interno do Partido Comunista Brasileiro (PCB) trouxe à tona uma agenda ideológica que pressiona diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a romper relações diplomáticas com os Estados Unidos e Israel, além de aprofundar o apoio político e estratégico à Venezuela. O texto aponta a existência de um suposto risco de “novo processo golpista” no Brasil até 2026, atribuindo essa ameaça a interesses geopolíticos norte-americanos.
A publicação defende uma mobilização permanente da militância de esquerda e sugere mudanças estruturais nas Forças Armadas, sob o argumento de que seria necessário “readequar” o papel militar ao projeto político defendido pelo partido. Na prática, a proposta reforça um discurso clássico de desconfiança institucional e tentativa de aparelhamento do Estado, comum a regimes de viés autoritário.

No campo da política externa, o documento propõe uma guinada clara: afastamento do eixo democrático ocidental e aproximação estratégica de países como Rússia, China e Venezuela. A defesa aberta de ruptura com os Estados Unidos e Israel revela não apenas radicalismo ideológico, mas também desprezo por interesses econômicos, comerciais e diplomáticos fundamentais para o Brasil.
A agenda econômica apresentada segue a cartilha tradicional da esquerda radical: taxação dos chamados “super-ricos”, ampliação de isenções tributárias sem indicar fontes sustentáveis de compensação, tarifa zero no transporte público e expansão do papel do Estado como indutor central da economia. Trata-se de um conjunto de propostas que ignora limites fiscais e experiências fracassadas em países que adotaram políticas semelhantes.
O ponto mais sensível do documento é o recado político implícito ao governo Lula. Ao levantar o discurso de ameaça golpista e convocar mobilização permanente, o partido pressiona o Planalto a endurecer posições, radicalizar a narrativa e justificar eventuais medidas de exceção sob o pretexto de “defesa da democracia”.
Esse tipo de manifesto escancara a tensão interna no campo da esquerda e expõe o risco de captura ideológica da política externa e institucional brasileira. Caso esse discurso ganhe espaço no governo, o Brasil pode caminhar para um isolamento diplomático, desgaste internacional e aprofundamento da polarização interna.
Mais do que um texto partidário, o documento funciona como um alerta: setores da esquerda defendem abertamente o rompimento com democracias consolidadas e a aproximação com regimes autoritários, colocando ideologia acima dos interesses nacionais. Cabe ao governo decidir se seguirá o caminho da pragmática diplomacia ou se cederá à pressão dos grupos mais radicais que orbitam o poder.

