
Contratos milionários com o Banco Master contrastam com ausência de registros oficiais em Brasília.
Análise do Tema
Apesar da previsão expressa em um contrato milionário firmado com o Banco Master, a atuação profissional da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, não é reconhecida ou identificada em ao menos três dos quatro órgãos do Executivo federal onde ela supostamente deveria prestar serviços: o Banco Central, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e, agora, também a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Em resposta a um pedido realizado via Lei de Acesso à Informação (LAI), a PGFN informou que “não foi identificado registro de ingresso” da advogada em suas dependências em Brasília no período entre janeiro de 2024 — quando o contrato com o Banco Master entrou em vigor — e dezembro de 2025. A informação reforça questionamentos já levantados anteriormente sobre a efetiva execução do trabalho contratado.
O caso chama atenção porque o acordo firmado previa atuação junto a órgãos estratégicos do Estado, justamente aqueles responsáveis por regulação financeira, defesa da concorrência e cobrança da dívida ativa da União. A inexistência de registros formais de acesso ou presença levanta dúvidas sobre a natureza, a materialidade e a transparência dos serviços prestados.
A situação se torna ainda mais sensível pelo vínculo direto da advogada com um dos ministros mais poderosos do STF, conhecido por decisões de grande impacto político, institucional e econômico. Críticos apontam que o episódio reforça a percepção de assimetria entre o rigor aplicado a cidadãos comuns e a blindagem informal de figuras ligadas ao topo do Judiciário.
Embora a ausência de registros não prove, por si só, irregularidade, o caso expõe fragilidades nos mecanismos de controle e fiscalização de contratos privados que envolvem interesses diretos com o Estado. Também reacende o debate sobre conflitos de interesse, ética pública e a necessidade de padrões mais claros de accountability quando relações privadas orbitam o núcleo do poder institucional.
Em um cenário de crescente desconfiança nas instituições, episódios como este alimentam questionamentos sobre privilégios, falta de transparência e a distância entre o discurso de legalidade e a prática real nos bastidores do poder. O silêncio dos órgãos e a falta de explicações objetivas tendem a ampliar o desgaste público do caso.

