
Senador diz que articulação internacional foi conduzida por Eduardo Bolsonaro e mira consolidação política fora do país.
Análise do Tema
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter participado de reuniões “estratégicas” nos Estados Unidos com o objetivo de ser apresentado a interlocutores internacionais como pré-candidato à Presidência da República em 2026. Segundo o próprio parlamentar, os encontros foram articulados pelo irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mantém relações próximas com lideranças do Partido Republicano e setores conservadores norte-americanos.

A declaração confirma que a família Bolsonaro trabalha desde já na construção de um projeto presidencial, com foco não apenas no cenário interno, mas também na legitimação internacional de uma candidatura alinhada ao conservadorismo global. As reuniões teriam ocorrido em Washington e envolveram parlamentares, assessores políticos e representantes de grupos ligados à defesa da liberdade de expressão e ao combate ao avanço da esquerda na América Latina.
Nos bastidores, a movimentação é vista como uma resposta direta ao isolamento diplomático imposto ao bolsonarismo após as eleições de 2022 e às ações do governo Lula no cenário internacional. Ao se apresentar como alternativa política fora do Brasil, Flávio busca sinalizar que existe uma liderança capaz de dialogar com potências internacionais sem submissão ideológica a regimes autoritários, como os aliados históricos do PT.
A articulação conduzida por Eduardo Bolsonaro reforça seu papel como principal ponte do grupo com o conservadorismo internacional, especialmente nos Estados Unidos. O ex-deputado tem atuado como interlocutor frequente junto a congressistas americanos e organizações que criticam decisões do Judiciário brasileiro e denunciam restrições à liberdade política no país.
Críticos apontam que a movimentação pode ser explorada pelo governo como tentativa de “interferência externa” no processo eleitoral brasileiro. Já aliados veem a iniciativa como legítima e estratégica, sobretudo diante da crescente internacionalização do debate político e da influência de organismos e governos estrangeiros sobre decisões internas do Brasil.
O anúncio de Flávio Bolsonaro também intensifica a disputa dentro da própria direita sobre quem será o nome natural para suceder Jair Bolsonaro, hoje inelegível. Ao se apresentar como pré-candidato em ambientes internacionais, o senador sinaliza que pretende ocupar o protagonismo do campo conservador e se diferenciar de outros postulantes ao Planalto.
A antecipação do movimento indica que a corrida presidencial de 2026 já começou nos bastidores, com articulações que vão além das fronteiras nacionais e devem acirrar ainda mais o embate político entre governo e oposição nos próximos meses.

