
Presidente prometeu assinatura em 2025, mas fica fora do momento decisivo em Assunção.
Análise do Tema
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, participam neste sábado (17 de janeiro de 2026), em Assunção, no Paraguai, da assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul — um dos pactos mais aguardados da história recente do bloco.
O detalhe político relevante: Lula não estará presente.
Na sexta-feira (16), Ursula von der Leyen esteve no Rio de Janeiro para um encontro com o presidente brasileiro, em uma tentativa clara de preservar a imagem de protagonismo de Lula no processo. António Costa também era esperado no Brasil, mas teve o voo cancelado. Ainda assim, a assinatura acontece no Paraguai, com a presença dos demais líderes sul-americanos.
O efeito simbólico tende a ser o oposto do desejado pelo Planalto. A ausência de Lula no ato final evidencia sua derrota diplomática e reforça a percepção de que o Brasil perdeu espaço nas negociações, mesmo ocupando a presidência rotativa do Mercosul em 2025.
Em novembro do ano passado, Lula garantiu publicamente que o acordo seria assinado antes do fim de 2025. O Brasil seria o anfitrião da cúpula do Mercosul em 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu, e o presidente esperava capitalizar politicamente o feito.
Nada disso aconteceu.
A poucos dias do evento, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni (direita), afirmou que considerava “prematuro” assinar o acordo, exigindo mais garantias de proteção aos agricultores europeus. O discurso desmontou o cronograma do Planalto e deixou Lula visivelmente frustrado durante a cúpula.
Na mesma ocasião, o presidente da Argentina, Javier Milei, foi direto ao ponto ao afirmar que a dificuldade em concluir o acordo demonstrava a lentidão e ineficiência do Mercosul, crítica que ecoou entre setores empresariais e diplomáticos.
O acordo, agora assinado sem o Brasil no centro da cena, escancara uma realidade incômoda: o discurso de protagonismo internacional de Lula não se traduziu em liderança efetiva. A imagem que fica é a de um presidente que prometeu, não entregou e acabou assistindo de fora ao desfecho de uma negociação histórica.
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