
Decisão ignora eficácia superior a 90% e deixa idosos e imunocomprometidos sem acesso gratuito à prevenção.
Análise do Tema
O governo Lula decidiu não incorporar a vacina Shingrix, contra o herpes-zóster (cobreiro), ao Sistema Único de Saúde (SUS). A justificativa oficial, apresentada pela Conitec, foi o alto custo da medida, estimado em R$ 5,2 bilhões ao longo de cinco anos.
A decisão gerou forte reação entre médicos, especialistas e ex-gestores da saúde, sobretudo porque a vacina apresenta eficácia superior a 90% e é amplamente reconhecida por prevenir dores crônicas, internações e complicações graves, especialmente em idosos e imunocomprometidos — justamente o público mais dependente do SUS.
Críticos apontam que o critério adotado foi excessivamente rígido e desconectado da realidade, ao ignorar o potencial de economia futura com tratamentos evitados e a melhora significativa da qualidade de vida da população-alvo. Para esses especialistas, prevenção custa menos do que tratar sequelas permanentes.
A escolha também chama atenção quando comparada aos gastos do próprio governo federal. Dados públicos indicam que, apenas em 2023 e 2024, as despesas com viagens oficiais já ultrapassaram R$ 4,5 bilhões, com cifras bilionárias adicionais também em 2025. Enquanto recursos são liberados para deslocamentos e agendas internacionais, idosos seguem sem acesso gratuito a uma vacina eficaz.
Na rede privada, a Shingrix é vendida por valores inacessíveis para a maioria da população, o que reforça a desigualdade no acesso à prevenção. Para críticos, a decisão prioriza despesas políticas e administrativas em detrimento do cuidado com quem mais precisa do sistema público.
O episódio reacende um debate central na saúde pública: quanto custa não prevenir? E quem paga a conta quando a prevenção é adiada?
SUS, vacina Shingrix, herpes-zóster, saúde pública, governo Lula

