
Presidente reage ao crescimento da oposição enquanto indicadores econômicos e promessas descumpridas corroem sua base.
Análise do Tema
O cenário político começa a mudar de forma acelerada. Mesmo antes de oficializar plenamente sua candidatura, o senador Flávio Bolsonaro já aparece virtualmente à frente de Lula em projeções e análises internas, movimento que provocou uma reação pública do presidente. Em declaração recente, Lula demonstrou incômodo ao admitir que o adversário, “mal se declarou candidato”, já o teria superado em apoio popular — um sinal claro de apreensão.

O nervosismo tem explicação objetiva. Lula venceu a eleição anterior por uma margem inferior a 1% dos votos válidos, sem qualquer “gordura” política para queimar. Desde então, o governo acumulou promessas não cumpridas, desgaste econômico e frustração social. A narrativa eleitoral não resistiu ao teste da realidade.
A água prometida ao Nordeste não chegou como anunciado. A simbólica “picanha e cerveja” virou meme de frustração nacional. O custo de vida subiu, o ovo ficou mais caro, a gasolina pesa no bolso e os juros permanecem em patamares sufocantes, travando crédito, consumo e investimento. A população sente no dia a dia o abismo entre discurso e prática.
Na área social, o contraste é ainda mais sensível. Professores, base histórica de apoio ao PT, receberam um reajuste de apenas R$ 18, valor que beira o constrangimento diante da inflação acumulada. Cortes na saúde e na educação aprofundam a sensação de abandono, enquanto o governo tenta manter uma retórica de compromisso social que já não convence.
Do ponto de vista fiscal, o quadro é alarmante. Estatais acumulam prejuízos, os gastos públicos batem recordes e o rombo nas contas cresce sem controle. O discurso de responsabilidade fiscal cedeu lugar a improvisos, remendos e aumento contínuo da dívida, comprometendo o futuro do país.

Enquanto isso, a base de Bolsonaro não apenas resiste como se amplia. A perseguição política, os inquéritos seletivos e o uso recorrente das instituições como instrumentos de pressão acabaram produzindo o efeito inverso ao desejado. Eleitores antes isentos passaram a enxergar o desequilíbrio do jogo e a se posicionar. A oposição cresce não por slogans, mas pela constatação de que os fatos falam mais alto do que qualquer narrativa.
A eleição de 2026 começa a se desenhar como um embate entre realidade e discurso. De um lado, um governo que prometeu muito, entregou pouco e tenta sobreviver com retórica. Do outro, uma oposição fortalecida por erros do próprio sistema. Quando os fatos se sobrepõem às narrativas, o eleitor tende a fazer escolhas mais duras — e Lula parece saber disso.


