
Convite articulado por Washington expõe contradições do PT e deixa o presidente sem saída confortável no cenário internacional.
Análise do Tema
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um dos dilemas diplomáticos mais delicados de seu terceiro mandato. O chamado “Conselho de Paz”, articulado pelo presidente norte-americano Donald Trump, colocou o petista diante de uma armadilha política clássica: qualquer decisão gera desgaste — interno ou externo — e Lula sabe disso.
Aceitar o convite significa comprar uma briga direta com a própria base ideológica. Setores influentes da esquerda brasileira mantêm alinhamento automático com narrativas pró-Hamas e hostilidade aberta a Israel. Uma eventual aproximação institucional com um fórum liderado por Trump e associado à defesa do Estado israelense seria vista como traição por militantes, partidos satélites e movimentos que hoje sustentam o governo no Congresso e nas ruas.

Por outro lado, recusar o convite traz consequências ainda mais amplas. A negativa seria interpretada em Washington como sinal de distanciamento estratégico, aprofundando o desgaste com os Estados Unidos em um momento de crescente isolamento internacional do Brasil. Com Trump no comando e adotando postura assertiva, Lula correria o risco de transformar divergência diplomática em conflito direto, com impactos comerciais, políticos e geopolíticos.
Essa hesitação expõe algo que o discurso oficial tenta esconder: o PT não opera sob pragmatismo de Estado, mas sob amarras ideológicas. Lula fala em soberania, mas se vê paralisado quando precisa escolher entre interesses nacionais e fidelidade à militância. O resultado é um presidente travado, incapaz de agir com clareza diante de um tabuleiro internacional cada vez mais duro.
A armadilha montada por Trump é simples e eficaz. Ao convidar Lula para um espaço de protagonismo internacional, o líder americano força o petista a revelar sua real prioridade: ou governa para o Brasil, buscando diálogo com as principais potências, ou governa para agradar uma base radical que enxerga o mundo sob lentes ideológicas ultrapassadas.
O episódio também reforça a perda de relevância do Brasil no cenário global. Um país seguro de sua política externa não hesita diante de convites multilaterais. O Brasil de Lula, porém, precisa calcular reações de militantes, sindicatos e partidos aliados antes de qualquer gesto internacional — sinal claro de fragilidade política.
Entre aceitar e trair sua base ou recusar e se indispor com Washington, Lula se vê sem saída confortável. E essa encruzilhada revela mais do que um dilema momentâneo: escancara a verdadeira face de um governo que fala em liderança global, mas age com medo, dependente de narrativas internas e refém de sua própria ideologia.

