
Oitiva na Polícia Federal expõe ligação direta da operação de consignados com núcleo petista e silêncio conveniente no Congresso.
Análise do Tema
Fica cada vez mais evidente por que nenhum parlamentar do PT assinou o pedido de criação da CPMI do Banco Master. Em depoimento prestado à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro revelou detalhes que ajudam a entender o desconforto da esquerda com uma investigação mais profunda sobre o esquema de crédito consignado que se tornou um dos principais negócios da instituição.
Durante a oitiva, Vorcaro foi questionado repetidas vezes sobre aspectos técnicos das negociações envolvendo carteiras de consignados. Embora reconhecesse ter conhecimento macro das operações e assumir a decisão final, o banqueiro admitiu não dominar o funcionamento detalhado do negócio. Segundo ele, toda a área de crédito consignado estava sob responsabilidade de Augusto Lima, empresário ligado ao núcleo do PT na Bahia desde 2019.
“Ele que tocava essa área do consignado”, afirmou Vorcaro, deixando claro que a operação estratégica mais lucrativa do banco estava nas mãos de um aliado político do partido que hoje evita qualquer investigação parlamentar sobre o tema.
O banqueiro relatou ainda que a estrutura do consignado foi montada por Lima e sua equipe, crescendo de forma acelerada ao longo dos anos. O produto CredCesta, principal carro-chefe do Master, foi apresentado a investidores e expandido nacionalmente, chegando a mais de 160 municípios em 20 estados, tornando-se responsável por cerca de metade do lucro do banco.
Não por acaso, o CredCesta surgiu a partir da privatização da estatal de supermercados da Bahia, em 2018, durante a gestão de Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil de Lula. A coincidência política levanta questionamentos óbvios sobre favorecimento, articulação partidária e uso de estruturas públicas como alavanca para negócios privados.
Em 2024, Augusto Lima negociou sua saída do Banco Master e, no ano seguinte, recebeu autorização do Banco Central, já sob a gestão de Gabriel Galípolo, para adquirir o banco Voiter — rebatizado de Pleno — levando consigo justamente a carteira de consignado do CredCesta. Tudo foi validado pelo órgão regulador, mesmo em meio a questionamentos sobre a governança do Master.
Chama atenção que, apesar da relevância política e econômica do caso, os delegados que conduziram o depoimento não demonstraram interesse em aprofundar a atuação do ex-sócio petista, nem em investigar as conexões políticas por trás da operação. Um silêncio que ecoa o comportamento do PT no Congresso, onde a CPMI foi simplesmente ignorada.
O episódio reforça a percepção de dois pesos e duas medidas: enquanto a esquerda tenta arrastar a direita para a “sujeira” onde ela própria está mergulhada, evita qualquer investigação que possa expor suas próprias conexões com bancos, operadores financeiros e esquemas bilionários validados por órgãos de Estado.

