
Revista The Economist aponta fraude bilionária, prejuízo histórico ao FGC e investigações que alcançam o topo do Judiciário.
Análise do Tema
O escândalo envolvendo o Banco Master ultrapassou as fronteiras do Brasil e passou a ser acompanhado pela imprensa internacional. Nesta semana, a tradicional revista britânica The Economist publicou uma reportagem detalhando as consequências da liquidação da instituição financeira, classificando o caso como um dos episódios mais graves do sistema bancário brasileiro nas últimas décadas.
Segundo a publicação, a quebra do banco pegou o mercado de surpresa e abriu uma série de investigações que alcançam não apenas executivos e operadores financeiros, mas também figuras próximas ao Supremo Tribunal Federal, ampliando o impacto institucional do caso. A Economist destaca que o colapso expôs fragilidades regulatórias e levantou dúvidas sobre a atuação de órgãos de controle no Brasil.
O texto chama atenção para o padrão de vida mantido por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master desde 2019. De acordo com a revista, o banqueiro acumulou gastos considerados exorbitantes com imóveis de alto padrão, jatos particulares, um hotel de luxo, um time de futebol e festas frequentes, em um período no qual o banco expandia agressivamente suas operações no mercado financeiro.
Ainda segundo a Economist, em setembro, Vorcaro tentou vender o banco de forma repentina, movimento que acendeu um alerta no Banco Central. A partir daí, o regulador iniciou uma investigação mais aprofundada sobre o modelo de negócios da instituição, baseado na venda de certificados de depósito bancário (CDBs) com juros elevados, apesar da falta de liquidez suficiente para sustentar essas operações.
Pouco tempo depois, Vorcaro foi detido ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai, episódio citado pela revista como parte do contexto que reforçou a gravidade das suspeitas levantadas pelas autoridades brasileiras.
O ponto mais sensível do escândalo, segundo a publicação britânica, é o impacto direto sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A fraude teria causado um prejuízo estimado entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões, valor que deverá ser desembolsado para ressarcir os depositantes — a maior indenização da história do fundo no Brasil.
Para analistas internacionais ouvidos pela Economist, o caso do Banco Master simboliza um problema estrutural: crescimento acelerado sem fiscalização eficaz, decisões regulatórias questionáveis e um ambiente institucional que, muitas vezes, reage tarde demais. O episódio reforça a percepção de que o sistema financeiro brasileiro ainda convive com riscos elevados, especialmente quando interesses políticos, relações de poder e falhas de governança se misturam.

