
Ação judicial movida por empresário escancara crise financeira e má gestão no clube paulista.
Análise do Tema
A Justiça determinou o bloqueio das premiações da Copa do Brasil e dos repasses referentes aos direitos de imagem da TV Globo destinados ao Corinthians. A decisão atende a uma ação movida pelo empresário André Cury, que cobra do clube uma dívida superior a R$ 20 milhões.
O bloqueio atinge justamente uma das principais fontes de caixa do clube em meio a um cenário financeiro já considerado crítico. Segundo os autos do processo, a medida foi adotada como forma de garantir o pagamento da dívida, diante da dificuldade de recebimento por vias administrativas ou acordos extrajudiciais.
A diretoria do Corinthians reagiu exigindo a liberação imediata dos valores, alegando que os recursos são essenciais para cobrir despesas operacionais do dia a dia, como folha salarial, compromissos com fornecedores e custos logísticos. Internamente, o bloqueio é visto como um risco direto à manutenção mínima da rotina do clube.
O episódio expõe, mais uma vez, o descontrole financeiro que se instalou no Corinthians nos últimos anos. Mesmo com receitas robustas provenientes de televisão, bilheteria e competições nacionais, o clube acumula dívidas elevadas e enfrenta sucessivas ações judiciais de credores.
Especialistas em gestão esportiva apontam que a situação reflete falhas estruturais de governança, contratos mal conduzidos e ausência de planejamento financeiro de longo prazo. O bloqueio judicial de receitas recorrentes é considerado um dos cenários mais graves para qualquer clube, pois compromete a previsibilidade de caixa e a credibilidade institucional.
Além do impacto financeiro imediato, a decisão judicial também gera preocupação esportiva. Sem liquidez, o Corinthians pode enfrentar dificuldades para honrar compromissos básicos, o que afeta diretamente o ambiente interno, o desempenho em campo e até a capacidade de competir em alto nível.
O caso reforça um alerta já conhecido no futebol brasileiro: clubes com faturamento bilionário não quebram por falta de receita, mas por má administração. Enquanto não houver responsabilidade fiscal, transparência e profissionalização real da gestão, episódios como esse tendem a se repetir.

