
Ministra do Planejamento enfrenta cenário adverso, sem base eleitoral e sem respaldo efetivo do Planalto.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, vive um momento de forte enfraquecimento político após movimentos do presidente Lula que a colocam, na prática, como possível candidata ao governo de São Paulo em um cenário amplamente desfavorável. Apesar de promessas iniciais de apoio e protagonismo, Tebet passou a ser vista como peça exposta em uma disputa dominada pelo governador Tarcísio de Freitas.
Esse episódio importa porque São Paulo não é apenas um estado — é o principal colégio eleitoral do país. Lançar um nome sem base sólida, sem máquina local e contra um governador com alta aprovação equivale a empurrar um aliado para o desgaste, preservando o núcleo do governo federal de uma derrota direta.
Nos bastidores, interlocutores relatam frustração de Tebet com conversas improdutivas, ausência de apoio real do PT paulista e pesquisas internas que indicam ampla vantagem de Tarcísio. O governador, por sua vez, tem explorado publicamente a fragilidade da adversária, reforçando sua imagem de gestor forte frente a uma candidata associada a um governo federal mal avaliado no estado.
O impacto no cidadão é claro: alianças feitas em Brasília não se sustentam automaticamente nas urnas. Simone Tebet abandonou o MDB, rompeu com sua trajetória anterior e apostou no projeto lulista esperando centralidade. O que recebeu foi isolamento político e a perspectiva de uma candidatura de sacrifício em 2026.
O fechamento é direto e incômodo: quando o poder usa aliados como escudos eleitorais, o custo recai sobre quem acreditou nas promessas. A dúvida agora não é apenas se Simone Tebet disputará São Paulo, mas se sua aposta no PT marcou o auge — ou o encerramento — de sua trajetória política nacional.

