
Salas onde estariam sediadas LLF Tech Participações e G4 Entretenimento estão vazias há cerca de sete meses, segundo visita feita ao local.
Duas empresas ligadas a Fábio Luís Lula da Silva não estariam funcionando no endereço em que estão registradas oficialmente em São Paulo. As companhias enviaram mais de R$ 3 milhões para contas bancárias do empresário, de acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles.
Segundo reportagem publicada pelo veículo, uma visita realizada na quinta-feira (5/3) ao prédio comercial localizado na zona oeste da cidade encontrou as salas desocupadas há aproximadamente sete meses. No local estariam registradas as empresas LLF Tech Participações e G4 Entretenimento e Tecnologia, ambas ligadas a Lulinha.
Salas estão desocupadas
De acordo com informações obtidas no prédio comercial, as duas salas do primeiro andar anteriormente eram ocupadas por uma certificadora digital e por uma organização social que presta serviços na área da saúde.
Nos registros da Junta Comercial, porém, as empresas associadas a Lulinha têm como atividade principal a prestação de serviços na área de tecnologia da informação, incluindo suporte técnico e manutenção de sistemas.
Transferências milionárias
Dados da quebra de sigilo bancário de Lulinha, enviados à CPMI do INSS, indicam que as duas empresas transferiram valores significativos para contas ligadas ao empresário entre 2022 e 2025.
Segundo os registros:
- A LLF Tech Participações enviou aproximadamente R$ 2,37 milhões.
- A G4 Entretenimento e Tecnologia transferiu cerca de R$ 772 mil.
As informações foram reveladas pela coluna da jornalista Andreza Matais.
Defesa explica situação
A defesa de Lulinha afirma que o endereço registrado pelas empresas é utilizado apenas para recebimento e encaminhamento de correspondências.
Em nota, o advogado Guilherme Suguimori declarou:
“A empresa LLF Tech não possui escritório externo e sua sede sempre foi a residência de Fábio Luís, alterada somente após sua mudança para o exterior. A empresa G4 não está mais em atividade, mas possui créditos judicializados a receber, que quando são pagos, são distribuídos.”
Movimentação financeira
A quebra de sigilo bancário revelou uma movimentação total de R$ 19,3 milhões em quatro anos.
Segundo a defesa, esse valor não representa necessariamente ganhos líquidos, pois corresponde ao somatório de entradas e saídas nas contas bancárias, o que pode incluir valores repetidos em diferentes transações.
Do total identificado:
- R$ 9,6 milhões foram recebidos por Lulinha
- o restante corresponde a pagamentos realizados para outras contas.
Contexto da investigação
Os dados foram encaminhados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga possíveis irregularidades relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A comissão analisa movimentações financeiras e possíveis conexões empresariais que possam ter relação com os fatos investigados.
Até o momento, não há decisão judicial que aponte irregularidades definitivas envolvendo o empresário.
Análise
Casos envolvendo movimentações financeiras de empresários ligados a figuras políticas costumam gerar grande repercussão pública e política. Em situações desse tipo, a análise das autoridades geralmente se concentra em três pontos principais:
- origem dos recursos
- natureza das transações
- atividade real das empresas envolvidas
A existência de empresas registradas em endereços que não funcionam fisicamente não é necessariamente ilegal, já que algumas companhias operam virtualmente ou utilizam escritórios apenas para correspondência. Ainda assim, situações desse tipo frequentemente passam por verificação quando há investigações em andamento.

