
Encontro em Brasília com João Roma e filiação de Aroldo Cedraz ao PL mostram que a articulação deixou de ser especulação e passou a ter forma política concreta.
Matéria exclusiva do portal ClicJa | Verificado ⓖ
O encontro que vinha sendo tratado nos bastidores finalmente saiu do campo das sinalizações e ganhou contorno político real em Brasília. O ex-prefeito de Salvador ACM Neto sentou-se com o senador Flávio Bolsonaro em uma agenda que, na prática, vai muito além de uma foto cordial. Ao lado deles estava João Roma, reforçando que o movimento não foi isolado, mas parte de uma engenharia política mais ampla mirando 2026.
O gesto foi acompanhado de um componente simbólico importante: a filiação do ex-ministro do TCU Aroldo Cedraz ao PL. O movimento amplia a musculatura da sigla na Bahia e ajuda a dar densidade institucional a uma articulação que, até pouco tempo, ainda parecia ensaio. Quando nomes com trânsito técnico e político passam a se somar a um projeto, o recado é claro: há tentativa de estruturação real de palanque e não apenas aceno de ocasião.
Apesar disso, ACM Neto mantém uma postura calculada. O ex-prefeito sabe que a Bahia continua sendo um terreno delicado, onde qualquer alinhamento nacional mais explícito precisa ser dosado com cuidado. Por isso, seu discurso segue marcado por cautela: ele sinaliza abertura, conversa, aproximação, mas evita um abraço total no primeiro turno. Essa posição revela uma estratégia clássica de sobrevivência eleitoral — manter pontes abertas com a direita nacional sem fechar portas com parcelas mais moderadas ou pragmáticas do eleitorado baiano.
Na prática, o que está em jogo é algo maior do que um simples apoio presidencial. O PL quer montar um eixo competitivo na Bahia, com potencial de unir candidatura estadual, palanque presidencial e disputa ao Senado sob uma lógica de oposição ao PT. E a presença de João Roma nesse tabuleiro é central, porque ele funciona como elo político entre o bolsonarismo nacional e a engenharia local de alianças.
O encontro também revela outra coisa importante: Flávio Bolsonaro tenta ampliar sua aceitação para além do núcleo duro bolsonarista. E isso exige diálogo com nomes que não querem parecer subalternos ao bolsonarismo raiz, mas que também não desejam ficar presos à órbita petista. ACM Neto entra justamente nesse espaço. Ele tenta se posicionar como ponte entre centro-direita, oposição regional e eleitorado conservador sem parecer totalmente engolido por nenhum desses polos.
Minha análise
Osmildo, aqui a jogada é menos emocional e muito mais matemática. Isso não é “amizade política”. É conta de 2026.
ACM Neto quer continuar viável na Bahia. Flávio quer entrar no Nordeste sem parecer um corpo estranho. João Roma quer consolidar espaço. E o PL quer montar um palanque que faça barulho real contra o PT. Todo mundo ali está sorrindo para a câmera, mas cada um está fazendo cálculo de sobrevivência, poder e território.
E sinceramente? Politicamente, faz sentido. Porque eleição grande se ganha com ideologia, sim — mas também com engenharia de palanque, ego bem administrado e timing. E Brasília adora esse tipo de teatro com planilha por trás.
REFLITA E COMPARE
A aproximação entre ACM Neto e Flávio Bolsonaro é aliança real ou apenas teste de terreno?
A Bahia pode se tornar um dos estados-chave da disputa entre PT e direita em 2026?
ACM Neto conseguirá equilibrar o eleitorado local sem pagar preço nacional por essa aproximação?
Quando antigos distanciamentos começam a virar encontros públicos, a política deixa de operar no campo da hipótese e passa a trabalhar no terreno da montagem de poder.
Deixe seu comentário: você acredita que ACM Neto deve subir no mesmo palanque de Flávio Bolsonaro já no primeiro turno?
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FAQ
O que aconteceu em Brasília?
ACM Neto se reuniu com Flávio Bolsonaro e João Roma em um movimento político com foco em 2026.
Quem também apareceu no movimento?
Aroldo Cedraz oficializou filiação ao PL durante a agenda.
ACM Neto já declarou apoio total a Flávio?
Não de forma plena no primeiro turno. Ele mantém discurso cauteloso e mais calculado.
Qual o objetivo político dessa aproximação?
Fortalecer uma articulação de oposição ao PT na Bahia e montar palanque competitivo para 2026.
João Roma tem papel importante nessa articulação?
Sim. Ele aparece como peça-chave na conexão entre o PL nacional e o tabuleiro baiano.

