
Discurso do governo Lula no Conselho de Segurança expõe alinhamento diplomático com ditaduras latino-americanas e afasta o país de democracias ocidentais.
Análise do Tema
O governo brasileiro voltou a se posicionar de forma explícita em defesa do regime venezuelano durante sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Em discurso oficial, o embaixador Sérgio França Danese pediu o fim imediato do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos à Venezuela e criticou a mobilização militar americana na região, classificando as ações como violações da Carta da ONU.

Segundo Danese, qualquer tipo de pressão militar ou restrição comercial sem autorização formal do Conselho de Segurança seria incompatível com o direito internacional e deveria cessar de maneira “imediata e incondicional”. O representante brasileiro defendeu que a crise seja tratada exclusivamente por meios políticos e jurídicos, reforçando o discurso tradicional do Itamaraty em favor do multilateralismo e da solução pacífica de controvérsias.
O posicionamento, no entanto, chama atenção por ocorrer em meio a reiteradas denúncias de autoritarismo, perseguição política e violações de direitos humanos promovidas pelo regime de Nicolás Maduro. Ao enfatizar laços históricos, sociais e econômicos com a Venezuela, o governo Lula opta por relativizar o caráter ditatorial do regime chavista e desloca o foco do debate para uma crítica direta à atuação dos Estados Unidos.
Além disso, o Brasil se ofereceu como mediador de um “diálogo genuíno, de boa-fé e sem coerção” entre Washington e Caracas. A iniciativa coloca o governo brasileiro como facilitador de negociações envolvendo uma ditadura isolada internacionalmente, o que, na prática, insere o país no centro de uma disputa geopolítica sensível, com riscos diplomáticos e econômicos.
Para analistas críticos, a postura adotada pelo Planalto reforça um padrão já observado na política externa do atual governo: aproximação com regimes autoritários da América Latina e distanciamento das democracias liberais ocidentais. O discurso em defesa da legalidade internacional contrasta com o silêncio recorrente do governo brasileiro diante das violações promovidas por aliados ideológicos.
O episódio reacende o debate sobre os rumos da política externa brasileira sob Lula. Para setores conservadores, o Brasil deixa de atuar como potência moderadora e passa a assumir posições ideológicas que comprometem sua credibilidade internacional, seu alinhamento estratégico e sua defesa histórica da democracia e das liberdades individuais.

