
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro perdeu a proteção internacional de patente após cortes orçamentários registrados em 2015 e 2016.
A tecnologia envolve o estudo da polilaminina, substância pesquisada como potencial auxiliar na regeneração da medula espinhal em casos graves, como tetraplegia.
Segundo relato da própria pesquisadora responsável pelo estudo, o Brasil deixou de manter o registro internacional por falta de recursos para pagamento das taxas exigidas no exterior.
O QUE SIGNIFICA PERDER A PROTEÇÃO
Quando uma patente não tem suas taxas internacionais mantidas:
- A proteção jurídica fora do país pode expirar
- Outros centros ou empresas podem explorar comercialmente a tecnologia em determinados mercados
- O país perde vantagem estratégica em negociações e licenciamento
É importante destacar que perder a proteção internacional não significa necessariamente perder o conhecimento científico. A pesquisa continua existindo — o que se perde é o monopólio comercial em determinadas jurisdições.
CONTEXTO ORÇAMENTÁRIO
Os cortes mencionados ocorreram durante o governo da então presidente Dilma Rousseff, período marcado por forte ajuste fiscal e contingenciamento em áreas como ciência e tecnologia.
Naquele momento, o país enfrentava:
- Crise econômica
- Queda de arrecadação
- Ajustes no orçamento federal
- Redução de verbas para universidades e pesquisa
Na minha avaliação, independentemente do governo responsável, quando ciência estratégica perde financiamento por falta de prioridade, o país perde duas vezes: no presente e no futuro.
O IMPACTO ESTRATÉGICO
Tecnologias ligadas à regeneração medular têm alto valor científico e potencial impacto global. Mesmo que ainda estivessem em fase experimental, a manutenção da patente poderia representar:
- Captação de investimento internacional
- Parcerias com laboratórios estrangeiros
- Geração futura de royalties
- Projeção internacional da ciência brasileira
O episódio reacende um debate antigo: o Brasil investe pouco e de forma instável em pesquisa de longo prazo.
Ciência exige continuidade. Patente exige manutenção. E inovação exige visão estratégica.
Você acredita que o Brasil trata ciência como prioridade estratégica ou ainda vê pesquisa como gasto e não investimento? Comente sua visão.

