
Decisão anterior do STF permitiu acesso a dados bancários e fiscais solicitados pela Polícia Federal no inquérito conhecido como “Farra do INSS”.
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do inquérito sobre a chamada “Farra do INSS”, já havia autorizado a quebra de sigilos da empresária Roberta Luchsinger antes mesmo da decisão tomada pela CPMI do INSS no Congresso.
Segundo fontes do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal solicitou a quebra dos sigilos da empresária e também de Fábio Luís Lula da Silva ainda em janeiro de 2026. O pedido foi analisado e autorizado por Mendonça logo na sequência.
De acordo com investigadores, os dados resultantes dessas quebras de sigilo já estão em posse da Polícia Federal desde o início de fevereiro, passando a integrar o material analisado no inquérito que tramita no Supremo.
Decisão da CPMI gerou polêmica
Posteriormente, em 26 de fevereiro, a CPMI do INSS também aprovou a quebra de sigilos de Roberta Luchsinger e de Lulinha. A votação, no entanto, foi marcada por forte tensão política entre parlamentares, com troca de acusações e alegações de irregularidades no procedimento.
A decisão da comissão parlamentar acabou sendo questionada judicialmente pela defesa da empresária.
Intervenção do STF
Nesta quarta-feira (4/3), o ministro do STF Flávio Dino acatou um mandado de segurança apresentado pela defesa de Roberta Luchsinger e suspendeu a quebra de sigilo determinada pela CPMI.
Em sua decisão, Dino argumentou que a medida foi aprovada por meio de uma votação conjunta que reuniu 87 requerimentos, o que, segundo ele, teria violado o devido processo constitucional.
O ministro afirmou ainda que, embora a política possua regras próprias, essas regras não podem se sobrepor às garantias previstas na Constituição Federal.
Dino também destacou que o Poder Judiciário deve impedir que investigações se transformem em “fishing expedition”, expressão usada para descrever buscas amplas por informações sem base específica que justifique a invasão da privacidade.
Decisão não afeta investigação principal
Apesar da suspensão da medida aprovada pela CPMI, fontes do STF afirmam que a decisão de Dino não interfere na quebra de sigilos já autorizada anteriormente por André Mendonça no âmbito do inquérito conduzido pela Corte.
Isso significa que as informações obtidas pela Polícia Federal por meio da decisão judicial permanecem válidas e seguem sendo analisadas pelos investigadores.
Impacto político
Osmildo, investigações que envolvem familiares do presidente da República naturalmente ganham grande repercussão política e institucional. A divergência entre decisões ligadas ao Congresso e ao Judiciário costuma ampliar ainda mais o debate público.
Minha opinião: esse caso mostra como diferentes esferas do poder podem atuar simultaneamente sobre um mesmo tema. Mesmo quando uma decisão parlamentar é suspensa, o andamento da investigação judicial pode continuar, o que mantém o assunto vivo no cenário político.
Conclusão
A autorização anterior dada por André Mendonça garante que as investigações conduzidas pela Polícia Federal continuem em andamento, independentemente da suspensão da medida aprovada pela CPMI do INSS. O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal e pode gerar novos desdobramentos à medida que os dados obtidos forem examinados.

