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Bahia é o Único Estado do Brasil Com Mais de 1 Milhão de Analfabetos e Expõe Herança de Duas Décadas de Gestão do PT

PNAD Contínua Educação 2025 aponta 1,1 milhão de baianos que não sabem ler nem escrever — 13,7% de todo o analfabetismo do país e a maior taxa entre idosos.

A Bahia surge como o único estado brasileiro com mais de 1 milhão de pessoas analfabetas, segundo a PNAD Contínua Educação 2025, divulgada pelo IBGE. São cerca de 1,1 milhão de baianos com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever — o equivalente a 13,7% de todo o analfabetismo do país. O dado ganha peso político porque o estado é governado pelo PT há cerca de duas décadas e, mesmo com a queda nacional do indicador, segue concentrando um dos quadros mais graves da educação brasileira.

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Redação Brasil

agora · 7 min de leitura

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Imagem principal da matéria: Bahia é o Único Estado do Brasil Com Mais de 1 Milhão de Analfabetos e Expõe Herança de Duas Décadas de Gestão do PT
Arte: Clicja/IBGE

A Bahia aparece como o único estado brasileiro com mais de 1 milhão de pessoas analfabetas, segundo dados da PNAD Contínua Educação 2025, divulgados pelo IBGE. O levantamento mostra que o estado soma cerca de 1,1 milhão de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever, o equivalente a 13,7% de todos os analfabetos do país.

O número transforma o estado em ponto fora da curva do mapa educacional brasileiro. Enquanto o Brasil viu o total de analfabetos cair para 8,4 milhões em 2025, com taxa nacional de 4,9%, a Bahia segue puxando para cima o passivo histórico da região Nordeste — e liderando, sozinha, uma marca simbólica que nenhum outro ente da federação atingiu.

O peso político do dado

O resultado chama atenção porque a Bahia é governada pelo PT há cerca de duas décadas — uma das mais longas hegemonias estaduais da história recente do país. Mesmo com a queda nacional do analfabetismo e com sucessivos programas de alfabetização anunciados ao longo desse período, o estado segue concentrando um dos quadros mais graves da educação brasileira.

Para a oposição, o número expõe uma contradição estrutural: o partido que construiu marca política em torno da bandeira da educação preside justamente o estado que ainda não conseguiu romper o ciclo de exclusão educacional. Para o governo estadual, o argumento é o inverso — o problema é herança de séculos de desigualdade e exige mais recursos federais e políticas de longo prazo.

13,7% de todo o analfabetismo do Brasil está concentrado em um único estado.

Idosos: o rosto mais duro do problema

Na Bahia, o problema é ainda mais forte entre os idosos. Dos 1,1 milhão de analfabetos, cerca de 718 mil têm 60 anos ou mais, o que representa 62,7% do total no estado. Nessa faixa etária, a taxa de analfabetismo chega a 28,5%, mais que o dobro da média nacional para o mesmo grupo.

A concentração no público idoso mostra que o problema não é apenas de fluxo escolar atual, mas também de estoque acumulado — pessoas que nunca tiveram acesso pleno à educação básica em décadas passadas e que não foram alcançadas por políticas efetivas de alfabetização de adultos, apesar de o tema constar em praticamente todos os planos de governo desde os anos 2000.

Contexto nacional: avanço não chegou por igual

O Brasil vem reduzindo, lentamente, o analfabetismo há mais de uma década. A taxa nacional de 4,9% em 2025 é a mais baixa já registrada pela série histórica da PNAD Contínua Educação. Ainda assim, a redução é desigual: estados do Sul e Sudeste operam com percentuais próximos aos de países desenvolvidos, enquanto parte relevante do Nordeste segue com índices de duas casas.

O caso baiano é o mais extremo justamente pela combinação de dois fatores: tamanho populacional — o estado é o quarto mais populoso do país — e taxa relativamente alta. Somados, produzem esse volume absoluto que nenhum outro estado alcança.

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A cobrança sobre o Palácio de Ondina

O resultado expõe um desafio histórico na educação baiana e pressiona o governo estadual, que há anos está sob comando petista, a dar respostas concretas para reduzir o atraso educacional e ampliar o acesso à alfabetização. Especialistas ouvidos por outros veículos apontam que a resposta precisa ir além de campanhas: exige integração entre educação de jovens e adultos, políticas específicas para idosos, transporte escolar em áreas rurais e formação continuada de professores.

No campo político, o dado deve ser incorporado ao debate eleitoral já em 2026. Adversários do PT tendem a transformar a marca de 1 milhão de analfabetos em símbolo do desgaste da hegemonia estadual, enquanto a base governista provavelmente destacará a queda percentual histórica e a expansão do acesso ao ensino superior no estado no mesmo período.

Análise: o número que o discurso não cobre

Há uma leitura mais dura possível: 20 anos de projeto de poder são tempo suficiente para atacar um problema estrutural — e o número não perdoa. Nenhuma gestão longa consegue argumentar apenas com "herança" quando controlou o orçamento, nomeou secretários, definiu prioridades e assinou os planos plurianuais de todo o período. Ao mesmo tempo, é intelectualmente honesto reconhecer que analfabetismo entre idosos é, em boa parte, dívida de décadas anteriores, quando políticas de EJA (Educação de Jovens e Adultos) foram intermitentes e frequentemente subfinanciadas em todo o país.

A questão que o dado impõe, portanto, não é apenas "quem é o culpado", mas "por que 20 anos de gestão contínua não conseguiram reduzir esse estoque com mais velocidade". A ausência dessa resposta — objetiva, mensurável, com metas — é o que transforma um número técnico em problema político.

Perguntas para reflexão

Duas décadas de gestão contínua num estado deveriam ser suficientes para zerar o analfabetismo entre adultos jovens? Se o problema está concentrado em idosos, qual política pública específica falhou em alcançá-los? E, do lado do eleitor, quanto peso um dado educacional tem numa disputa dominada por temas de segurança, economia e clima nacional?

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FAQ

De onde vem o dado? Da PNAD Contínua Educação 2025, divulgada pelo IBGE.

Quantos analfabetos há na Bahia? Cerca de 1,1 milhão de pessoas com 15 anos ou mais.

Qual a taxa nacional de analfabetismo? 4,9%, com 8,4 milhões de brasileiros nessa condição.

Por que o problema é mais grave entre idosos? Porque cerca de 718 mil dos analfabetos baianos têm 60 anos ou mais, com taxa de 28,5% nessa faixa etária — mais que o dobro da média nacional para o grupo.

Há quanto tempo o PT governa a Bahia? Cerca de duas décadas, o que amplia a cobrança política sobre o resultado.

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3 Comentários

Comentários passam por moderação antes da publicação.

  • C

    Carlos R. há 1 hora

    Excelente cobertura. Era o que faltava na imprensa brasileira: notícia direta, sem viés.

  • M

    Mariana T. há 3 horas

    Concordo em parte. O texto poderia detalhar mais os impactos regionais da medida.

  • J

    João P. há 5 horas

    Parabéns ao Clicja pela apuração. Vou compartilhar com meus contatos.

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