Paraguai cresce 8,2% em março e supera, em um único mês, todo o avanço esperado do Brasil em 2026
Vizinho registra inflação de 2,3%, juros de 5,5% e expansão recorde — enquanto o Brasil patina com Selic a 14,5% e PIB projetado entre 1,8% e 2,3%
Combinação de crescimento forte, juros baixos e inflação contida transforma o Paraguai em ímã para investidores, empresas e brasileiros em busca de estabilidade.

Os números recém-divulgados pelo Paraguai são daqueles que constrangem qualquer comparação. Em março de 2026, a economia paraguaia cresceu 8,2% — em um único mês, mais do que o Brasil deve crescer no ano inteiro, que segue projetado entre 1,8% e 2,3%.
O contraste é tão evidente que extrapolou o noticiário econômico e virou tema político: como um país com cerca de 6,5 milhões de habitantes consegue, ao mesmo tempo, crescimento forte, inflação baixa e juros civilizados — enquanto o Brasil, com 203 milhões de habitantes, mantém uma das maiores taxas de juros do planeta?
Os números lado a lado
Inflação: Paraguai em 2,3%, Brasil em 4,5%. Juros básicos: 5,5% lá, 14,5% aqui. Crescimento mensal: 8,2% versus uma projeção anual brasileira que mal supera 2%. Em todos os indicadores macroeconômicos relevantes, a balança pende para o vizinho.
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Por que o Paraguai está decolando
O país combina carga tributária baixa, energia elétrica barata e abundante (graças à Itaipu), estabilidade jurídica e políticas que privilegiam o investidor privado. A Lei de Maquila, em particular, tornou-se vitrine global de competitividade industrial.
Não por acaso, gigantes do varejo, da indústria têxtil e até de calçados — como Adidas, Nike e Fila — vêm transferindo operações para o Paraguai.
Não é milagre. É política econômica funcionando enquanto, do outro lado da fronteira, o Brasil paga a conta do gasto público em juros.
O que isso diz sobre o Brasil
A leitura dos analistas é direta: o Brasil cresce menos, com inflação maior e precisa manter juros estratosféricos para tentar segurar a moeda e a dívida pública. O custo desse arranjo é pago em empregos perdidos, indústrias migrando e consumidor empobrecido.
Enquanto Brasília discute novos gastos, Assunção corta impostos, atrai capital e desperta cobiça regional.
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Por que isso importa para você
O movimento já é sentido por brasileiros que decidiram empreender, investir ou simplesmente morar no Paraguai. A migração transfronteiriça de capital e de pessoas se tornou um termômetro silencioso da percepção sobre o futuro do Brasil.
Se a tendência se confirmar, o vizinho deixa de ser apenas rota de compras e passa a ser benchmark econômico.
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3 Comentários
- C
Carlos R. há 1 hora
Excelente cobertura. Era o que faltava na imprensa brasileira: notícia direta, sem viés.
- M
Mariana T. há 3 horas
Concordo em parte. O texto poderia detalhar mais os impactos regionais da medida.
- J
João P. há 5 horas
Parabéns ao Clicja pela apuração. Vou compartilhar com meus contatos.